O Vaticano negou, nesta quinta-feira, a acusação feita por Osama bin Laden de que a publicação de caricaturas do profeta Maomé seria parte de uma "nova cruzada" envolvendo o papa Bento XVI.
"Suas publicações desses desenhos - parte de uma nova cruzada em que o papa do Vaticano teve um papel significativo - é uma confirmação da sua parte que a guerra continua", afirmou a mensagem endereçada "aos que são sábios na União Européia".
- Essas acusações são totalmente infundadas - disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, reagindo à gravação divulgada na Internet. A Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês) atribuiu a mensagem ao próprio bin Laden, confirmando que a voz no vídeo é mesmo a do líder insurgente.
Em 2006, o pontífice alemão atraiu protestos por fazer uma citação que aparentemente atribuía um caráter violento ao Islã.
Grande ameaça
Em seu pronunciamento, Osama bin Laden, ameaçou impor severas punições à Europa por causa das caricaturas.
Segundo a agência de notícias italiana Ansa, que ouviu uma fonte da unidade antiterrorismo do Ministério do Interior da Itália, oficiais de segurança italianos consideram essas novas acusações de Bin Laden uma grande ameaça.
- Se não há controle sobre a liberdade de suas palavras, então que seus corações estejam abertos à liberdade de nossas ações - diz a mensagem em determinado ponto.
O depoimento de Bin Laden foi pronunciado no dia do aniversário do fundador do Islã, Maomé e dos cinco anos da invasão norte-americana no Iraque.
- Não é segredo para ninguém que esses pactos selvagens (entre Europa e Estados Unidos) não acabaram com a guerra, mas fortaleceram nossa determinação de assegurar nosso direito de vingar nossa gente e expulsar de nosso país as forças ocupantes - ameaçou.
Para Bin Laden a publicação das caricaturas foi uma ofensa mais grave "do que o bombardeio de modestas aldeias que desabaram sobre nossas meninas".
Bin Laden aparece no vídeo em uma imagem estática, vestido de branco e com uma metralhadora, e em frente a ela aparece uma bandeira da União Européia, que, ao fim do vídeo, é destruída.
Jyllands-Posten
A polêmica charge mostra o profeta Maomé, figura central do islamismo, com uma bomba em seu turbante. Esta e outras caricaturas com a imagem de Maomé foram publicadas pela primeira vez em 2005, pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten e, posteriormente, por diversos veículos.
A publicação das charges, consideradas ofensivas pelos muçulmanos, provocou protestos violentos de comunidades muçulmanas em vários países e deixou mais de cinquentas pessoas mortas. Vários jornais reproduziram os desenhos alegando defender o direito à liberdade de expressão.
Há um mês, jornais dinamarqueses republicaram a charge, depois da prisão de três pessoas supostamente envolvidas em um plano para assassinar o cartunista responsável pela obra. A republicação provocou uma nova onda de protestos.
A mensagem divulgada pelo site islâmico nesta quarta-feira traz uma imagem congelada de Bin Laden portando um fuzil AK-47. Traz também a tradução da mensagem em inglês.
A produtora que fez o vídeo é a Al Sahab, que o disponibilizou no site Al Ikhlas. Os dois veículos costumam reproduzir todos os comunicados da Al Qaeda.
Em setembro de 2007, ele divulgou uma gravação em que celebrava o sexto aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, atribuídos à sua rede Al Qaeda. A voz do suposto Bin Laden apareceu sem apoio de imagens. Por isso, é impossível saber se ele continua vivo ou se morreu.
Tom de protesto
Em outro front, o cardeal Joseph Zen, arcebispo de Hong Kong, disse não temer reações negativas por parte da China ao fato de ter usado a palavra "perseguição" em sua reflexão para a Via