Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Al Pacino quer representar <i>Macbeth e Rei Lear</i>

Quarta, 08 de Dezembro de 2004 às 18:04, por: CdB

Depois de passar anos representando gângsters, vilões e homens durões, Al Pacino voltou a Shakespeare. Em seu novo filme, "O Mercador de Veneza", ele faz o papel do agiota judeu Shylock e, agora, o ator diz que quer representar Macbeth e o Rei Lear.

"Estudar Shakespeare no colégio foi meio chato", Al Pacino admitiu a jornalistas em Nova York, onde está promovendo "O Mercador de Veneza", filme que foi exibido na Mostra de Cinema de São Paulo este ano. O trabalho estréia nos Estados Unidos em 29 de dezembro.

Apesar disso, o ator, que está com 64 anos e ainda é conhecido sobretudo pelo papel de Michael Corleone dos filmes "O Poderoso Chefão", o primeiro dos quais chegou às telas em 1972, diz que ficou fascinado pelo bardo inglês quando era estudante.

"Alguns atores têm grande vontade de fazer Shakespeare, outros, não", disse ele. "É uma questão pessoal."

Pacino disse que "O Mercador de Veneza" talvez seja de aceitação difícil para o público em função de suas complexidades morais, especialmente as de seu personagem, que empresta uma fortuna sob a condição de que, se a dívida não for saldada, a pessoa a quem fez o empréstimo lhe dê uma libra (meio quilo) de sua própria carne.

"Sempre achei que existem maneiras de se apresentar Shakespeare que tornem seu texto mais interessante e proporcionem às pessoas uma compreensão de sua relevância", disse Pacino, lembrando seu documentário de 1996 "Ricardo III -- Um Ensaio", sobre "Ricardo III", de Shakespeare, como o trabalho que mais o apaixonou nos últimos anos.

O ator premiado com o Oscar disse que vê Shylock mais como vítima do que como algoz. O personagem é alvo de insultos anti-semitas, pessoas cospem nele nas ruas e, finalmente, ele vê sua filha fugir de casa com um nobre cristão.

Indagado sobre seus planos futuros para fazer mais Shakespeare, Pacino disse que já discutiu a possibilidade de fazer mais alguns filmes: "Rei Lear", a tragédia de um pai e suas três filhas, e "Macbeth".

Mas Pacino rejeitou a sugestão de que estaria se preparando para virar uma espécie de embaixador de Shakespeare na América de hoje.

"Gosto dele do mesmo jeito que outras pessoas gostam. Amo Shakespeare, amo sua obra, mas não estou aqui para representar Shakespeare diante do mundo", disse Al Pacino. "Shakespeare não precisa de mim nem de ninguém. Ele está ótimo."

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