Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Al-Assad diz que política americana incentiva terrorismo

Quarta, 12 de Maio de 2004 às 05:35, por: CdB

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse que política dos Estados Unidos está incentivando o terrorismo no Iraque e a instabilidade na região. Ele também afirmou, em entrevista publicada nesta quarta-feira, que algumas pessoas em Washington podem estar em busca de uma guerra com a Síria.

As declarações ao jornais El Pais, da Espanha, e La Repubblica, da Itália, foram publicadas um dia depois de o presidente dos EUA, George W. Bush, ter imposto sanções econômicas à Síria e acusado Damasco de apoiar o terrorismo.

"Pela primeira vez os Estados Unidos se transformaram em uma fonte de instabilidade em vez de estabilidade...A guerra no Iraque provocou um ódio que está encontrando eco no terrorismo", disse Assad.

Segundo ele, os EUA deveriam ajudar a combater o terrorismo no Iraque, seu vizinho, e nos territórios palestinos adotando uma posição política "justa", fomentando o desenvolvimento econômico e o entendimento cultural.

Na entrevista realizada antes da imposição das sanções, Assad disse que as relações entre Washington e Damasco ficaram complicadas pelas mensagens conflitantes norte-americanas.
"Há uma corrente que quer cooperar com a Síria através do diálogo e da reciprocidade, e outra que não quer este contato e está buscando pressão e talvez a guerra."

A Síria sofreu com a invasão do Iraque, disse Assad, citando queda no investimento estrangeiro na região e o crescimento da tensão entre as próprias tribos e famílias da Síria. "Agora vamos ver os efeitos na segurança. O Iraque está caótico e fora de controle, há armas sendo contrabandeadas para fora, em direção à Síria. Há também o crescimento no extremismo e um sentimento de ódio em relação aos EUA que não existia antes", observou.

As sanções anunciadas nesta terça-feira proíbem as exportações dos EUA para a Síria, a não ser de alimentos e remédios, congelam bens de sírios nos EUA suspeitos de terrorismo e proíbem vôos sírios aos EUA, entre outras medidas. 

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