Cristiane Lagarde é diretora-gerente do FMI
Os principais bancos centrais do mundo têm que retirar de forma gradual e cuidadosa suas políticas monetárias não convencionais, afirmou nesta terça-feira a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, acerca do derrame de dólares promovido pelas políticas afrouxamento das regras cambiais.
– Políticas monetárias não convencionais que foram decididas pelo Federal Reserve e pelo banco central britânico, pelo Banco Central Europeu e... o banco central do Japão têm tido... consequências nos fluxos de capital. A redução dessas políticas... precisa ser gradual e cuidadosa – disse Lagarde em conferência em Bucareste sobre o Leste Europeu e a Romênia.
Lagarde afirmou que os efeitos iniciais de políticas monetárias não convencionais foram "amplamente positivos", e que o grau e volume de contágio de reduzi-las "ainda precisam ser vistos e estudados".
Ajuste 'brutal'
O ajuste orçamentário "brutal" exigido pelo FMI aos países periféricos da Europa não precisa ser levado ao seu "máximo", disse a diretora do FMI, na véspera, em um encontro de economistas que se realizou em Aix-en-Provence, no sul de França. Christine Lagarde, reconheceu que o organismo que dirige cometeu "erros" na avaliação das políticas aplicadas em alguns países por se ter apoiado em parametros que não se mostraram fiáveis.
– Não pensamos que seja preciso um ajuste orçamental brutal até ao máximo – declarou a responsável do Fundo, defendendo que é necessário ter "uma perspetiva a longo prazo".
Segundo Christine Lagarde, os "erros “cometidos pelo FMI na sua avaliação de algumas políticas aplicadas em certos países foram uma consequência de parâmetros que mostraram não serem fiáveis. Ela lembrou que já por duas vezes o Fundo fez uma revisão de planos orçamentais em relação a medidas destinadas a enfrentar a crise económica.
– Nós o fizemos por escrito, fomos vilipendiados, mas é a tradição e a honra do FMI, dizer que estávamos errados. Não previmos que fosse ocorrer uma grande crise de liquidez – disse a diretora do organismo, sublinhando que estão pela frente desafios em matéria de regulação da atividade do setor financeiro.
Vigilância eterna
Christine Lagarde declarou que "a vigilância eterna é indispensável", referindo-se à necessidade de contar com um marco regulatório mais rigoroso em relação às instituições financeiras e recordou que a ausência de regulação antes da crise está na origem desta.
A diretora-gerente recordou que há mais de 200 milhões de desempregados do mundo e que 12% deles estão em países da Zona Euro. Lagarde acredita que alcançar a recuperação do crescimento econômico é essencial porque "é o melhor provedor de emprego".
– Muitos destes países têm que se comprometer com reformas estruturais para aumentar a produtividade – avisou Lagarde, que defendeu também um maior esforço em relação com o emprego das mulheres para impedir que persistam em muitos países as diferenças salariais em relação aos homens.
Lagarde também deixou antever uma revisão em baixa nas previsões do FMI para a conjuntura mundial, que vão ser anunciadas nos próximos dias.
– Tivemos uma previsão de crescimento de cerca de 3,3% – disse Lagarde, referindo-se às anteriores estimativas do Fundo para 2013, “mas temo que, diante do que se passa, particularmente nos países emergentes (…) possa ficar ligeiramente abaixo disso”.
A chefe do FMI recusou-se a fornecer números específicos, porque o Fundo vai publicar oficialmente os dados esta semana. Recorde-se que, em janeiro de 2013, o FMI previa um crescimento de 3,5% para economia mundial. Três meses depois, na estimativa de abril, a percentagem foi revista em baixa, para 3,3%.
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