A ajuda para as vítimas do terremoto no sudeste asiático chega a US$ 2 bilhões, afirmou neste sábado o coordenador de ajuda humanitária das Nações Unidas, Jan Egeland.
O funcionário da ONU indicou que o maior desafio agora é levar a assistência aos 5 milhões de pessoas cujas vidas estão em perigo.
Egeland apresentou em entrevista coletiva um balanço da situação na região, onde indicou que o número de mortos superará provavelmente os 150 mil anunciados na sexta-feira.
"Nunca saberemos quantas pessoas foram arrastadas pelas águas e nunca serão encontradas", declarou.
Segundo Egeland, as agências humanitárias precisam principalmente de meios de transporte, como helicópteros, embarcações e caminhões para levar comida, água, remédios e outros bens básicos aos sobreviventes.
Além disso, o coordendador reconheceu que pode levar dias para a ajuda chegar a algumas áreas remotas da região e que mais de um milhão de pessoas deverão ser alimentadas com ajuda internacional na Indonésia e mais de 700 mil no Sri Lanka.
Egeland disse não poder calcular quanto tempo exatamente teria de durar a ajuda alimentícia, mas afirmou que provavelmente seria uma questão de meses.
O mais importante agora, segundo explicou, é criar uma estrutura logística para levar ajuda às regiões afetadas, algumas da quais ainda permanecem fora do alcance das organizações humanitárias.
Segundo seus cálculos, a vida de 5 milhões de pessoas está ameaçada, mas ele confia que as organizações humanitárias poderão cobrir as necessidades de uma grande maioria graças aos recursos disponíveis e a um sistema de distribuição mais efetivo.
Egeland indicou que a "compaixão internacional" diante do desastre alcançou níveis nunca vistos e que cerca de 40 países e instituições prometeram um total de US$ 2 bilhões.
O maior doador individual é Japão, com US$ 500 milhões, mas Egeland, que ainda esta semana criticava a "mesquinharia" dos países ricos, disse hoje que é o maior fluxo de dinheiro para ajuda de emergência num período tão curto.
A soma é superior a todo o recebido no ano passado pelas Nações Unidas para todas as crises humanitárias juntas, lembrou.
Os Estados Unidos, que criaram um grupo de coordenação de ajuda com a ajuda da ONU, anunciaram na sexta-feira que sua doação aumentaria para US$ 350 milhões.
Egeland indicou que os EUA estão fazendo "um trabalho fenomenal" frente a um "desafio sem precedentes" e não só pelo dinheiro, mas também pela mobilização de pessoal militar e de defesa civil, que é "exatamente o que necessitamos".
"O pessoal militar é tão valioso quanto dinheiro ou ouro porque nos permite chegar ali na corrida contra o relógio", disse.
Além das dificuldades logísticas, neste momento, os principais problemas são o surto de diarréia e doenças respiratórias, ligadas à má qualidade da água, e a possibilidade de a cólera se propagar em muitos lugares.
Paradoxalmente, a tragédia fez com que se acalmasse a situação em Aceh, que foi uma zona de conflito durante muito tempo na Indonésia, e seja criado um clima de confiança.
Aceh foi uma das regiões mais afetadas e atualmente a assistência está limitada às horas de luz natural, segundo Egeland, que também destacou o alcance da crise no norte de Sumatra.
O coordenador informou que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, foi convidado a visitar a Indonésia no próximo dia 6 e analisa atualmente se aceitará.
Na quarta-feira passada, Annan afirmou que a visita de personalidades às regiões afetadas com freqüência atrapalha mais do que ajuda.
Egeland reconheceu hoje que em algumas ocasiões as visitas consomem parte do tempo que deveria ser dedicado à assistência das vítimas, mas também é uma oportunidade para se manter a atenção no problema e mostrar o que é feito.