Segmentos do mercado financeiro encararam com ressalvas o pacote de auxílio financeiro de US$ 85 bilhões do governo norte-americano para salvar da falência a AIG Seguros. De posse dessas análises, investidores da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuaram e o índice operava em declínio significativo no início da tarde, enquanto o câmbio disparava, na marca dos R$ 1,86. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, perdia 3,61%, em 47.458 pontos. O giro financeiro era de R$ 1,73 bilhão. O dólar comercial estava negociado a R$ 1,865 na venda, em alta de 2,24%, na maior marca da moeda norte-americana desde setembro de 2007. A taxa de risco-país, no entanto, ficava em 327 pontos, 3,82% abaixo da pontuação anterior.
Na Europa, as Bolsas subiram após o anúncio da intervenção na AIG, mas a trégua foi rápida. Em Londres, a Bolsa local teve leve baixa de 0,05%. Em Frankfurt, o índice Dax cedia 0,93%, perto do fechamento e o Cac, índice da Bolsa francesa, desvalorizava 0,77%. Nos EUA, a Bolsa de Nova York sofria perdas de 2%.
Os grandes investidores globais já estavam bastante sensíveis a risco nas últimas semanas, mas essa aversão ganhou novos patamares com a quebra do Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos EUA. O desastre do Lehman acentuou a expectativa pela próxima "bola da vez". Nesse sentido, a seguradora AIG passou o ocupar a posição central entre as preocupações do setor financeiro.
A iniciativa de socorro do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) teve o efeito de propiciar algum alívio ao mercado financeiro, mas ao mesmo tempo, também despertou temores de que mais episódios como os do banco Lehman ainda possam ocorrer. O temor não é infundado. Em pouco mais de uma semana, o governo dos EUA também preparou uma ajuda de até US$ 200 bilhões para as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, e o Merrill Lynch, outro importante banco de investimentos, foi vendido ao Bank of America, por US$ 50 bilhões. Na Europa, o banco britânico de hipotecas HBOS corre risco de quebra.
Outro fator que também afeta o humor do investidor nos EUA é a queda de mais de 6% na atividade de construção residencial de julho para agosto, dado recebido como sinal de que não há solução à vista para os problemas econômicos do país. Entre agosto deste ano e o mesmo mês do ano passado, a queda supera os 33%.