Novo presidente da fabricante européia de aviões Airbus, Louis Gallois disse nesta terça-feira que a estrutura do grupo precisa ser simplificada e afirmou que nos próximos meses decisões sobre "dolorosos" cortes de empregos terão de ser tomadas.
- Será doloroso, sim, porque haverá cortes de emprego. Há muito trabalho nas fábricas, nos centros de estudo, mas há custos estruturais. As estruturas são muito pesadas e precisamos torná-las mais leves e isso vai significar problemas com o número de empregos, com certeza - afirmou o executivo. A Airbus emprega 55.000 funcionários.
Notícias vinculadas pela mídia recentemente também previram que a Airbus possa concentrar a produção do A380 em Toulouse e a do novo A350 em Hamburgo, mas Gallois preferiu não comentar sobre isso.
- Não podemos pedir tudo de um país e nada de outro - acrescentou Gallois, referindo-se à Alemanha e à França, onde a Airbus possui suas duas principais linhas de montagem.
Gallois, que assumiu na noite desta segunda-feira quando Christian Streiff renunciou depois de apenas 100 dias no posto, afirmou que o fato de ele estar combinando as funções de presidente da Airbus com seu anterior papel de co-presidente da controladora da Airbus, a EADS, já representa uma simplificação da estrutura.
- Não haverá mais potenciais conflitos entre o co-presidente da EADS e o presidente da Airbus. Isso permite uma estrutura de comando mais simples e mais unificada - disse ele à rádio Europe 1, em entrevista em Paris antes de deixar o escritório da Airbus em Toulose, onde se encontrou com diretores da companhia.
Gallois afirmou que o superjumbo A380, um avião de dois andares com capacidade para mais de 550 passageiros e que vive atraso de dois anos nas entregas por causa de problemas de montagem, continua sendo uma notável aeronave.
- Se tivemos um problema com as instalações elétricas, é porque a Airbus ainda não é uma companhia completamente integrada e agora nós temos de uni-la... não temos mais nenhuma escolha - afirmou ele.