Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Ainda Locarno - Do favorito russo só ganhou o ator

Por Rui Martins - O grande favorito para o Leopardo de Ouro, em Locarno, era o filme russo, Durak, O Louco, terceiro longa-metragem de Yuri Bykov. Muito aplaudido pelo público gozava de quase unanimidade entre os críticos de cinema. Mas nem sempre a opinião da crítica é a mesma do júri. E assim para Durak sobrou só o prêmio de Melhor Ator, para Artem Bystrov. O tema do filme era a corrupção numa cidade russa, porém se adaptava a qualquer manifestação de corrupção política em qualquer país.

Segunda, 18 de Agosto de 2014 às 16:47, por: CdB
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Quaquer semelhança não é coincidência, a corrupão polítiica é universal
O grande favorito para o Leopardo de Ouro, em Locarno, era o filme russo, Durak, O Louco, terceiro longa-metragem de Yuri Bykov. Muito aplaudido pelo público gozava de quase unanimidade entre os críticos de cinema. Mas nem sempre a opinião da crítica é a mesma do júri. E assim para Durak sobrou só o prêmio de Melhor Ator, para Artem Bystrov. O tema do filme é a corrupção numa cidade russa, porém se adapta a qualquer manifestação de corrupção política em qualquer país. Do diretor russo, cito uma frase sua suficientemente reveladora do roteiro do filme, resumido logo a seguir : "Tive uma ideia durante a noite - fazer um filme sobre um honesto homem comum que luta contra o sistema burocrático para salvar outras pessoas. Nesta época, o medo e a indiferença se tornaram a norma, mas tais "loucos" ainda existem em meu país, o que significa haver ainda esperança". Essa frase de um russo talvez sirva como luva para o Brasil e receio que o fim do filme não seria diferente. É a história de um simples encanador, como a de tantos trabalhadores anônimos, chamado para consertar um rompimento no aquecimento central de um apartamento num prédio velho. Também estudante de engenharia, Dima Nikitin, o nome do encanador, descobre perigosas rachaduras de alto a baixo fa construção e um desnivelamento do prédio, cujas fundações estão cedendo. O desmoronamento é iminente. Preocupado com os habitantes do prédio condenado, Dima sai em busca das autoridades, altas horas da noite, pois é necessária uma rápida evacuação do imóvel. Encontra a prefeita, em plena festa em sua homenagem com seus secretários, representantes dos órgãos municipais, autoridades centrais, funcionários e amigos. Consegue expor a situação e logo se percebe ter sido o desvio de verbas e a corrupção a causa de não ter havido manutenção do prédio e nem ter havido denúncia da precariedade do imóvel. O responsável havia utilizado as verbas em benefício próprio e tenta adiar a evacuação do imóvel, propondo uma vistoria de por expecialistas. Assustada com situação, a prefeita quer saber como e onde realojar as 880 pessoas habitantes do prédio e tenta pessoalmente obter autorização para ocupar dois prédios recém-concluídos pela empreiteira contratada do município, cujo proprietário rejeitando qualquer argumento humanitário, nega ceder tais edifícios e deixa-lhe claro obedecer a uma autoridade partidária superior, com a qual negocia diretamente as concorrências públicas mediante comissões e propinas. Como a prefeita quer protestar e fazer valer sua autoridade, lhe é lembrado ter sido um favor temporário e sujeito à confirmação o de ter chegado à direção da cidade, sem esse favor nunca teria passado de uma simples secretária. A ordem do seu superior partidário é de deixar as coisas como estão e para evitar que circule a informação sobre a negativa da prefeitura em utilizar os milhões necessários à evacuação do prédio, decide-se a eliminação do encanador e dois funcionários da prefeitura. Pouco antes de ser liquidado, o chefe da Polícia poupa o encanador Dima Nikitin, sob a condição de deixar a cidade imediatamente, desaparecer com sua família e nunca mencionar o caso. A esposa de Dima considera uma idiotice seu marido ter assumido a proteção dos moradores do prédio condenado. Sem apoio das autoridades e da família, Dima, mesmo assim, tenta alertar sozinho os moradores quanto ao perigo e acaba sendo espancado e morto pelos próprios moradores inconscientes. Rui Martins, de Locarno, convidado pelo Festival
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