O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukia Amano, propôs a adoção de um sistema internacional de fiscalização de reatores no mundo todo, o que poderia contribuir para que não se repita uma crise como a de Fukushima, no Japão. A ideia, no entanto, deve enfrentar resistência por parte de países preocupados com ingerências externas.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukia Amano, propôs a adoção de um sistema internacional de fiscalização de reatores no mundo todo, o que poderia contribuir para que não se repita uma crise como a de Fukushima (Japão).
A ideia, no entanto, deve enfrentar resistência por parte de países preocupados com ingerências externas.
– A confiança pública na segurança da energia nuclear foi seriamente abalada –, disse Amano.
– É imperativo que as medidas de segurança mais estritas sejam implementadas em todos os lugares. Países com energia nuclear deveriam concordar com avaliações sistemáticas e periódicas por parte de seus pares na AIEA.
Amano exortou os países a efetuarem avaliações de risco em suas usinas atômicas no prazo de 18 meses. Ele disse que 10% dos 440 reatores do mundo podem ser verificados de forma aleatória durante um período de três anos, e sugeriu que as empresas de energia deveriam ajudar a pagar a conta.
Ele disse que continuaria cabendo aos governos nacionais a responsabilidade principal de avaliar se os seus reatores poderiam suportar vários cenários de crise. Mas ele também deixou claro que deseja um papel maior para a AIEA.
Suas propostas - que visam a garantir que as usinas nucleares possam resistir a eventos extremos, como o terremoto e tsunami que danificaram Fukushima - devem causar polêmica junto a governos que desejam manter a questão de segurança rigidamente no âmbito nacional.
A crise do Japão levou a uma revisão global da política energética. A Alemanha decidiu fechar todos os seus reatores até 2022, e os italianos votaram por proibir a energia atômica nas próximas décadas.
A Rússia quer tornar obrigatórios os padrões de segurança da AIEA, enquanto a França também defende medidas globais mais rígidas. Mas muitos outros países estão céticos, destacando o papel das autoridades nacionais.
Atualmente não existem normas internacionais obrigatórias de segurança nuclear - apenas recomendações da AIEA, por cuja execução as autoridades reguladoras nacionais são responsáveis. A agência da ONU realiza missões de avaliação, mas apenas a convite de um Estado membro.
Amano não deu detalhes de como as avaliações internacionais seriam realizadas. Normalmente, os especialistas falam em "testes de estresse", com simulações teóricas e práticas de como os sistemas de uma usina responderiam a várias situações extremas, tais como terremotos.
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