Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Aids matará 20% dos agricultores do sul da África até 2020

Quinta, 14 de Abril de 2005 às 12:25, por: CdB

A Aids terá matado 20% de todos os trabalhadores rurais do sul da África até 2020, disseram pesquisadores na quinta-feira. Isso pode ameaçar a produção de alimentos numa região que já enfrenta escassez de comida.

Mas, mesmo com o grande desemprego em todo o continente, a perda de poder aquisitivo pelas famílias que ficarem sem seu principal provedor pode ser um problema ainda maior que a falta de trabalho, disseram os cientistas.

- Não é tão simples quanto dizer que haverá uma redução de 20% nas colheitas - disse o especialista em HIV/Aids Smangaliso Hllengwa, numa conferência sobre Aids e segurança alimentar em Durban.

- Mas obviamente terá um impacto significativo - disse Hllengwa, que é consultor do Nepad, um programa pela recuperação econômica da África.

A Organização de Alimentação e Agricultura (FAO) da ONU ratificou a previsão, afirmaram os pesquisadores presentes à conferência, estimando que 25% da mão-de-obra agrícola vai morrer até 2025. Os dados foram obtidos com base em taxas nacionais de infecção por HIV e em pesquisas locais.

Cerca de 25 milhões de africanos já são portadores do vírus HIV.

No país que mais produz alimentos na região, a África do Sul, os fazendeiros dizem já ter perdido 20 por cento de sua força de trabalho só nos últimos cinco anos, mas a produção não foi afetada, e a expectativa é que a produção de milho seja a maior em uma década.

- Estamos perdendo trabalhadores a uma taxa muito alta - disse o produtor de milho Bully Botma, presidente da Grain South Africa.

- Mas há tanta gente procurando emprego que isso não está afetando a produção.

Um terço dos sul-africanos está desempregado. Mas, para as famílias dos trabalhadores mortos, a perda de renda pode ser devastadora, afirmam especialistas.

- O trabalho pode não ser problema, mas o dinheiro sim - disse Stuart Gillespie, pesquisador do Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar.

A escassez de alimentos em 2002 fez com que algumas pessoas previssem uma "nova variante da fome" provocada pela Aids, em que não haveria trabalho suficiente para alimentar a população.

Até agora, os temores não se concretizaram.

- Ainda é uma hipótese possível - disse Gillespie.

- Não aconteceu naquela época, mas isso não significa que não vai acontecer. Pode ser em 2005, em 2008.

Em alguns casos, segundo os pesquisadores, a Aids pode reduzir a renda rural.

- As pessoas ficam doentes e não podem trabalhar, e quando não se trabalha não há dinheiro para a comida ou para pagar a escola - disse Ziphi Mzila, 30, à Reuters em Msinga, a cerca de três horas de Durban. Ela foi diagnosticada com o HIV em 2000, depois que a doença a impediu de cultivar tomates, sua maior fonte de renda para alimentar os três filhos. Ela suspeita que o menor deles também tenha o vírus.

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