O número de sul-africanos contaminados pelo vírus da aids aumentou 12% em 2002, mas, conforme anúncio feito nesta quarta-feira pelo governo local, o ritmo de contágio pode estar diminuindo. A África do Sul tem mais pessoas contaminadas com o vírus HIV do que qualquer outro país no mundo. Cerca de 500 mil pessoas já morreram em razão da doença.
Um relatório do Departamento Nacional de Saúde mostrou que 5,3 milhões dos 44 milhões de sul-africanos tinham o vírus HIV em 2002, um aumento de 600 mil casos em um ano. Mais de 90 mil casos eram bebês que herdaram a doença de suas mães. De todas as mulheres grávidas, cerca de um quarto estava infectada com o HIV, mesma cifra encontrada no ano anterior.
Conforme o Departamento de Saúde, a prevalência do vírus entre menores de 20 anos, no entanto, considerada o melhor indicador do ritmo da epidemia, não cresce há quatro anos. "As descobertas apóiam a noção de que, embora a taxa de infecção pelo HIV seja alta, houve uma significativa redução no ritmo de difusão da epidemia, e a África do Sul pode considerar que tem uma epidemia que se desenvolve lentamente", diz o relatório.
O governo pretende começar a distribuir medicamentos anti-retrovirais até o fim deste ano. Até então, esses remédios estavam fora da rede pública de saúde por causa de seu custo, dos efeitos colaterais e da falta de infra-estrutura médica. Em agosto, porém, as autoridades cederam à pressão dos grupos de ativistas.
O relatório foi feito a partir de dados sobre a prevalência de HIV e sífilis entre 16.587 grávidas que participaram de atividades pré-natais na rede pública em outubro de 2002. Sean Jelley, que dirige a entidade independente Lifeworks, especializada em aids, declarou que os resultados podem superestimar a prevalência do vírus entre adultos, já que os testes em clínicas de pré-natal incluem pacientes de risco relativamente alto.