Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Ahmed Yasin, líder do Hamas promete vingança por atentado

Domingo, 07 de Setembro de 2003 às 10:03, por: CdB

O fundador e líder espiritual do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), xeque Ahmed Yasin, prometeu vingança contra Israel pela tentativa de assassinato sofrida neste sábado, junto com dois de seus colaboradores na cidade de Gaza. Em declarações aos jornalistas, Yasin garantiu que o premier israelense, Ariel Sharon, e seu povo sofrerão as conseqüências do ataque cometido hoje quando se encontrava na casa de um importante dirigente do Hamas.

Depois que um caça-bombardeiro F-16 israelense tentou assassiná-lo, sem sucesso, com o disparo de um míssil, Yasin, sentado em sua cadeira de rodas, recebeu hoje uma multidão de simpatizantes que foi a uma mesquita perto de sua casa, no bairro de Sabra, para parabenizá-lo por ter sobrevivido ao ataque.

- Sharon e o povo israelense pagarão um alto preço pelos crimes que estão cometendo contra nosso povo - disse o xeque, acrescentando que "nosso caminho tem apenas dois finais: a vitória ou o martírio".

Após reforçar que o povo palestino nunca se renderá a Israel, o líder disse que seus compatriotas "içarão as bandeiras da vitória e esta entidade violadora (em referência ao Estado de Israel) será exterminada".
Perguntado sobre o que diria agora a Sharon se ambos estivessem frente a frente, Yasin garantiu que o primeiro-ministro "pagará um alto preço por todos estes crimes cometidos contra nosso povo".

Sobre a versão israelense de que o ataque aconteceu porque ele participava naquele momento de uma reunião do Hamas em Gaza, Ahmed Yasin afirmou que "os israelenses perderam a cabeça e toda lógica". - Qualquer pessoa que visitar um amigo significará que está preparando ataques contra Israel? - questionou, acrescentando que com estas versões os israelenses "pretendem justificar seus ataques contra as casas de civis indefesos".

Em um apelo ao mundo árabe e à comunidade islâmica, assim como aos Estados Unidos e à União Européia, o xeque ressaltou que "os palestinos lutam por direitos legítimos e nunca se renderão diante do poder de Israel".

Milhares de simpatizantes dos Hamas se reuniram na frente da casa de Yasin aos gritos de "Allah uk Akbar" ("Deus é grande") e clamaram por uma resposta imediata contra Israel.

As brigadas de "Izadin Al Kasam", o braço armado do Hamas, também disseram hoje que responderão com um ataque "jamais visto pelos israelenses", como represália pela tentativa de assassinato. Este grupo, considerado uma das facções armadas palestinas mais preparadas, instruiu seus militantes para que "abatam alvos israelenses em qualquer parte do mundo e por qualquer meio".

Segundo um folheto do grupo distribuído em Gaza e na Cisjordânia, a resposta "ao crime de Israel será extraordinária" e acontecerá rapidamente. O texto afima que este crime, cujo objetivo era "assassinar o líder da pirâmide política do Hamas e um símbolo para todos os árabes, assim como seu ajudante Ismael Hanie, por aviões F-16, representa uma reviravolta perigosa no confronto com os israelenses".

"Nossa resposta acontecerá de uma forma diferente, jamais vista até agora por Israel", ameaçou o grupo, que atacou o presidente dos EUA, George W. Bush, qualificando-o de "terrorista" por "dar ao inimigo sionista sinal verde para cometer mais crimes contra o povo palestino".

O panfleto também criticou a UE por incluir o Hamas na lista de organizações terroristas.

- Estamos surpresos pela nova postura da União Européia, que deu a Israel uma cobertura legal para cometer este crime contra nossos líderes e abriu o caminho para os sionistas continuarem sua agressão contra nosso povo -disse Izadin Al Kasam.

Durante uma manifestação em Gaza para expressar seu apoio a Yasin, membros deste braço armado ameaçaram matar Sharon por vingança por este último ataque. "Procura-se a cabeça de Sharon", gritou a multidão.

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