O presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse neste domingo que os protestos contra sua reeleição são irrelevantes e que o pleito de sexta-feira não pode ser questionado.
O presidente acusou a mídia ocidental de fazer uma 'guerra psicológica' contra o país. Em Teerã, confrontos entre partidários de Mousavi e a polícia voltaram a acontecer, após a prisão de ao menos 60 reformistas.
Ahmadinejad disse ainda que é natural que quem perdeu a eleição esteja descontente, mas a atuação dos oficiais eleitorais, apontados pelo seu governo, foi correta. – Não há nada de importante nestes protestos –, disse o presidente iraniano, que ainda comparou o descontentamento dos reformistas com um jogo de futebol. Segundo Ahmadinejad, é normal a torcida do time que perde se irritar.
Mais de 100 reformistas, incluindo Mohammad Reza Khatami, irmão do ex-presidente Mohammad Khatami, foram detidos na noite deste sábado, disse o líder reformista Mohammad Ali Abtahi.
Um porta-voz do Judiciário iraniano declarou que eles não foram presos, mas que foram convocados e "avisados de que não devem elevar as tensões". Segundo o porta-voz, eles foram libertados em seguida.
Mas Abtahi, um ex-vice-presidente do Irã, disse à Reuters: "Eles foram levados de suas casas ontem à noite." Ele disse que estão previstas mais prisões.
Os reformistas detidos são membros do principal partido reformista iraniano, Mosharekat.
Milhares de pessoas entraram em choque com a polícia no sábado, depois de a contestada vitória eleitoral do presidente Mahmoud Ahmadinejad ter desencadeado os maiores protestos populares em Teerã desde a Revolução Islâmica de 1979.
O Líder Supremo Ali Khamenei disse à população que ela deve respeitar a vitória de Ahmadinejad numa eleição presidencial que o principal rival do presidente descreveu como "farsa perigosa".
Os Estados Unidos informaram, neste sábado, que não reconhecem a vitória do candidato Mahmoud Ahmadinejad nas eleições presidenciais do Irã. Em um comunicado, a Casa Branca apenas disse que monitora os indícios de fraude no pleito.
– Nós continuamos a monitorar toda a situação de perto, incluindo relatos de irregularidades – afirma o documento.
De acordo com os resultados oficiais divulgados pelo Ministério do Interior do Irã, Ahmadinejad obteve 62,6% dos votos, contra 33,8% do principal candidato de oposição, Mir Hussein Moussavi. O conservador Mohsen Rezai ficou com 1,7%, e o reformista Mehdi Karroubi, com 0,9%.
Mousavi denunciou "claras e numerosas irregularidades", que colocam o Irã diante de um "panorama perigoso".
– As irregularidades na eleição presidencial foram muito graves e vocês têm razão de se sentir prejudicados, mas peço a todos que não agridam qualquer indivíduo ou grupo e que não percam o sangue-frio, evitando toda ação violenta – disse à população.
Já Ahmadinejad, que assumiu o poder em 2005 com a promessa de restabelecer os valores da revolução islâmica de 1979, disse que a eleição foi "livre e saudável", rejeitando as alegações de irregularidades.