"As IFI [Instituições Financeiras Internacionais] e o G20 devem encabeçar um plano de ação global para prevenir um novo aumento do desemprego.” Isso é o que destaca a declaração do Agrupamento Global Unions, elaborada por ocasião da Reunião Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, encontro que ocorrerá entre os dias 23 e 25 de setembro, em Washington, Estados Unidos.
O Agrupamento alerta para as recentes "perturbações financeiras” registradas neste ano e para a resposta dada pelas IFI e pelos Governos do G20. Isso porque, de acordo com a declaração, em vez de prevenir a recorrência da crise financeira e dar prioridade ao combate ao desemprego, as autoridades estão se concentrando na consolidação fiscal.
"As políticas de austeridade, aplicadas com a intenção declarada de reduzir os déficits, têm contribuído para uma nova recessão econômica e poderiam ocasionar vários milhões de parados mais, fazendo com que resulte ainda menos provável alcançar os objetivos do déficit. As IFI e o G20 devem tomar a iniciativa para pôr fim a estas políticas econômicas destrutivas e, em última instância, contraproducentes, que conduzirão a um novo aumento do desemprego mundial”, explica.
Para o Agrupamento, as IFI e o G20 devem trabalhar na criação de empregos e promover programas que estimulem ocupações a partir de investimentos na infraestrutura, nos serviços públicos e em questões relacionadas ao clima. "As IFI devem atuar de maneira responsável a fim de proteger uns serviços públicos de qualidade que resultem vitais para o desenvolvimento de qualquer sociedade, como são a educação e a saúde, e apoiar a introdução de um piso de proteção social em todos os países. Deveriam fomentar planos de consolidação fiscal unicamente naqueles países onde o crescimento econômico seja autossustentado e o desemprego tenda à queda”, sugere.
A declaração ainda comenta que o FMI deve deixar de promover ações de desregulação do mercado de trabalho e atuar mais em cooperação com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) a fim de gerar um crescimento baseado no emprego. "O FMI pode demonstrar seu pleno apoio à redução do desemprego e à proteção das populações vulneráveis ajudando os países a situar-se na via de um crescimento centrado na criação de emprego e a pôr em marcha um mecanismo de financiamento sustentável para o estabelecimento de um piso de proteção social”, acredita.
A declaração do Agrupamento ainda propõe outras ações que poderiam ser adotadas pelo FMI para reduzir o desemprego nas estratégias nacionais de recuperação, como: mudança nos planos de consolidação fiscal com a intenção de evitar o agravamento da situação de emprego, e mais atenção para manter e aumentar o apoio a programas de desenvolvimento social e econômico.
"O FMI e o Banco Mundial deveriam revisar seus marcos políticos e assegurar-se de que seu assessoramento e condições de empréstimo em nível de cada país sejam consistentes com as lições aprendidas da crise econômica e financeira mundial e contribuam para um modelo mais equitativo e sustentável de crescimento e desenvolvimento. Por outro lado, a função analítica assumida pelo FMI em virtude do Processo de avaliação mútua do G20 para um crescimento forte, sustentável e equilibrado, deve ser utilizada para identificar e corrigir as políticas que deram lugar à distribuição assimétrica do investimento, assim como à diminuição da participação do trabalho, contribuindo, assim, para a crise mundial”, finaliza.
A declaração completa está disponível em: http://www.ituc-csi.org/IMG/pdf/No_30_-_IMF-WB_meetings_2011-statement_ES-2.pdf