Um dos expoentes nacionais do Partido Democratas (DEM), o senador Demóstenes Torres (GO) admitiu que o líder de sua bancada, José Agripino Maia (RN), foi infeliz em um comentário sobre a credibilidade da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Ele, segundo Torres, incorreu num "escorregão verbal", na véspera, durante o depoimento da ministra no Senado. Agripino disse que ela iria mentir aos senadores, como fez na época da ditadura militar.
- O líder Agripino tem de ser avaliado pelo conjunto, ele é brilhante e um dos maiores líderes da história do Senado. Um escorregão pode acontecer. Foi um escorregão verbal, mas nada que venha a macular sua história e conduta - afirmou Demóstenes aos jornalistas.
No depoimento de Dilma à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, Agripino recorreu a uma entrevista da ex-guerrilheira e hoje ministra do governo Lula, na qual ela reconhece ter mentido para escapar de torturas físicas, durante os Anos de Chumbo da ditadura militar. A resposta de Dilma calou o senador.
- Isso integra a minha biografia da qual eu tenho orgulho. Me orgulho de ter mentido, mentir na tortura não é fácil. Diante da tortura, quem tem dignidade fala mentira. Agüentar tortura é dificílimo. Todos nos somos muito frágeis, somos humanos, temos dor, a sedução, a tentação de falar o que ocorreu. A dor é insuportável o senhor não imagina o quanto. Me orgulho de ter mentido porque salvei companheiros da mesma tortura e da morte - afirmou a ministra, sob os aplausos dos colegas de Maia.