Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Agricultores interrompem tráfego de mineradoras no sul do Pará em protesto contra nuvem de poeira

Quinta, 22 de Setembro de 2011 às 11:00, por: CdB

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Uma centena de agricultores ocupou hoje (22) a vicinal que liga os municípios de Floresta do Araguaia e Rio Maria à BR-155, conhecida como Estrada da Mineração, no Pará. O movimento é um protesto por causa do fluxo intenso de caminhões que transportam minério, levando poeira à Colônia Marajuara, ocupação não formalizada de 80 famílias às margens da estrada não asfaltada.

Os trabalhadores rurais chegaram bem cedo à estrada, às 5h30. Eles alegam que a nuvem de poeira provoca problemas respiratórios em adultos e crianças e ainda afeta a lavoura e o pasto. Segundo os agricultores, a poeira provocou a mudança da acidez do leite produzido na colônia, no trecho conhecido como Babaçu-Mamão. Eles se queixam também da falta de segurança no local e da ausência de sinalização.

Com a paralisação, os agricultores querem forçar um acordo com as empresas Mineração Floresta do Araguaia S/A (ligada à Sidepar) e Reinarda Mineração Ltda (ligada à australiana Troy Resources NL) para que a estrada seja asfaltada, com lombadas, e que haja fiscalização policial e sinalização. A companhia australiana explora ouro na região e a empresa brasileira extrai minério de ferro em outra mina, chamada Big Mac. De acordo com o promotor de Justiça Ney Tapajós, do Ministério Público do Estado do Pará, o problema maior é causado pelo escoamento do minério de ferro feito em grandes caminhões, do tipo bi-trem.

De acordo com a assessora da Comissão Pastoral da Terra, Ana de Souza, os agricultores ainda se queixam do “barulho infernal” causado pela circulação dos caminhões durante toda a noite. Segundo ele, os caminhoneiros ganham por viagem, por isso o fluxo não tem interrupção e a velocidade é alta. Ela relata ainda que os agricultores encaminharam, há quatro anos, um abaixo-assinado ao Ministério Público pedindo modificações na estrada vicinal.

Ney Tapajós anunciou que, na primeira semana de outubro, vai entrar com uma ação civil contra a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) a quem solicitou, há dois anos, estudo sobre o local e informações sobre as exigências do licenciamento ambiental que autoriza o funcionamento das minas. A Sema informou à Agência Brasil que prestou informações ao promotor, mas admite fornecer novos esclarecimentos.

O diretor da Sidepar, Rogério Gontijo Valadares, disse à ABr que as mineradoras se dispõem a fazer novas lombadas na estrada, aumentar a sinalização do trecho, fiscalizar a velocidade dos caminhões, furar poços artesianos próximos à rodovia para abastecer os caminhões pipa que irrigam a pista e manter um trator do tipo patrola no local. A empresa alega, no entanto, que é “financeiramente é impossível” asfaltar o percurso.

Valadares estima que a mina deve continuar em funcionamento por mais cinco anos e enfatiza que a estrada é usada também por pecuaristas e por produtores de abacaxi e que o asfaltamento não foi exigido no licenciamento. A ABr também tentou entrar em contato com a secretária de Meio Ambiente do Pará, Teresa Lusia Rosa e com o secretário municipal de Meio Ambiente e Agricultura de Rio Maria, Eurípedes Bessa, mas não obteve resposta.

Edição: Lana Cristina
 

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