A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária aprovou nesta quinta-feira a ratificação da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco. Os senadores votaram também a matéria, permitindo que o Brasil informe às Nações Unidas a finalização do processo. Inicialmente contrários ao acordo, agricultores que plantam fumo se declaram satisfeitos com a forma como a convenção deve ser ratificada, acompanhada de uma declaração do governo federal de que a liberdade de produção do tabaco será mantida.
- Com essa declaração, assinada por seis ministros, não estamos sujeitos a proibições e recebemos também as garantias de que, se cair o consumo com as medidas de prevenção, teremos o apoio do governo para a mudar de cultura. Nós não gostamos de plantar fumo. Queremos plantar alimentos e acho que abrimos um bom espaço para isso agora - disse o representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), Albino Gewehr.
De acordo com Gewehr, estudos universitários mostram que cerca de 60% fumicultores gostariam de produzir outra cultura. Enquanto as indústrias pagam US$ 7 por quilo de fumo em outros países, no Brasil, o quilo de fumo custa US$ 1,5. Os agricultores acusam as indústrias de explorar a mão-de-obra dos pequenos produtores rurais. Ainda assim, permanecem no setor pela expectativa do cultivo se tornar mais lucrativa, diante da redução no plantio em países como os Estados Unidos.
Pelos cálculos da Fetraf, nos últimos dez anos, enquanto os norte-americanos reduziram pela metade a produção de tabaco, o Brasil dobrou o cultivo 850 mil toneladas por ano. O Sul é a região com maior número de produtores. Estima-se que existam cerca de 200 mil famílias produzindo 96% do fumo brasileiro. O país é o segundo maior produtor de tabaco, ficando atrás apenas da China, que colhe 2,3 milhões de toneladas por ano.
Agricultores apóiam ratificação de Convenção do Tabaco
Quinta, 27 de Outubro de 2005 às 18:42, por: CdB