Faz tempo venho buscando um assunto para dar continuidade ao tema Aceitação, que abordei no último texto. Recebi com felicidade os comentários de alguns leitores, se dizendo tocados e reflexivos a respeito de suas próprias atitudes diante de algumas situações em suas vidas, nem sempre agradáveis ou previsíveis. Acho que a minha proposta com esses textos sobre qualidade de vida tem a ver com isso: provocar, de alguma forma, reflexões para mudar a atitude do protagonista em sua vida. Provocar mudanças em suas relações com outras pessoas e entorno. Por isso hoje resolvi escrever sobre a agressividade.
Como terapeuta corporal, costumo trabalhar com meus pacientes a possibilidade deles encontrarem no mundo a sua forma individual, a sua existência mais verdadeira e a sua potência. Encontrar dentro de nós aquela faísca que nos move em direção à vida é o nosso compromisso diário. Todo movimento implica, de alguma forma, em tirar algo do lugar, sair do lugar de conforto e ocupar outros espaços. Isso dá trabalho. Precisamos estar de posse de toda a nossa vitalidade para dar conta de nos expressarmos e de interagirmos num mundo que não necessariamente nos é suave e carinhoso. Ser agressivo não significa ser violento. A violência não é uma forma de expressão que propõe uma boa troca - pois elimina o outro, e provoca uma reação como resposta ao invés de abrir uma possibilidade para o aprendizado e o diálogo para a troca.
Ser agressivo diante da vida significa, em primeiro lugar, estar de posse de todo o seu corpo e de suas sensações, estar presente e vital em todas as situações e se permitir ser quem é. A partir disso, expressar o que somos e o que pensamos em nossas atitudes de uma forma genuína e verdadeira. Isso é ocupar nossos espaços. Trata-se de um direito, mais do que um dever. É uma forma de auto-aceitação, de afirmação da vida e de presença, mais do que uma simples existência. A agressividade como postura nos move para a criação e para a transformação. Neste lugar não existe vencido ou vencedor. Existimos, eu e você, como protagonistas da nossa própria história, com o mesmo direito adquirido de estarmos neste mundo, nesta vida – e somos responsáveis pelo nosso caminho.
Maria Beatriz Whitaker Penteado
biapenteado@uol.com.br
Agressividade não tem a ver com violência
Quarta, 18 de Junho de 2008 às 11:11, por: CdB