Agentes fazem novas buscas ao corpo de Amarildo na Rocinha
Agentes da Divisão de Homicídios (DH) fizeram, nesta sexta-feira, novas buscas na Rocinha, Zona Sul do Rio, pelo corpo do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, que desapareceu no dia 14 de julho.
Os agentes entraram no acesso a um condomínio fechado
Agentes da Divisão de Homicídios (DH) fizeram, nesta sexta-feira, novas buscas na Rocinha, Zona Sul do Rio, pelo corpo do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, que desapareceu no dia 14 de julho. A operação foi realizada em toda comunidade, principalmente no Parque Ecológico, onde há um reservatório. A ação também contou com o apoio dos bombeiros e de cães farejadores.
Os agentes entraram no acesso a um condomínio fechado, na Estrada da Gávea, que corta a favela da Rocinha, em São Conrado. . Segundo os policiais, ate as 11h, os cães farejadores não tinham localizado nada na mata. No mesmo horário, os policias percorriam a trilha que dá acesso a uma das bases da UPP na comunidade. De acordo com informações do portal G1. Essa é a terceira busca pelo corpo de Amarildo: duas foram feitas na Rocinha e uma no aterro sanitário de Seropédica, na Baixada Fluminense.
A DH deu detalhes, na última sexta-feira, sobre o inquérito que indiciou e pediu a prisão de dez PMs no caso do desaparecimento de Amarildo. Segundo uma testemunha, durante a abordagem dos policiais no bar da Rocinha, onde o ajudante de pedreiro foi visto pela última vez antes de entrar no carro rumo à UPP, um dos PMs teria dito: "Boi, perdeu, chegou a sua hora".
"Boi" era o apelido de Amarildo e a frase teria sido dita por Douglas Roberto Vital Machado, um dos 10 PM presos todos já se apresentaram após a prisão preventiva decretada, e um telefonema de um informante, segundo a delegada Ellen Souto, responsável pelo inquérito. Depois da abordagem, ele entrou no carro da PM e não foi mais encontrado. "Nós comprovamos o motivo pelo qual que ele (Amarildo) seria levado à sede da UPP. Seria para fornecer informações sobre drogas e armas, principalmente armas, já que havia a informação de que ele teria a chave do paiol de armas", explicou a delegada Ellen Souto.
De acordo com a investigação, Amarildo morreu após ser submetido a uma sessão de tortura. A delegada revela ainda que foram ouvidas 22 vítimas da violência de policiais da UPP Rocinha. De acordo com Ellen, os depoimentos narram com detalhes a forma de agir da tropa do major Edson Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha. "Eles relatam que as torturas sofridas foram sempre com o objetivo de informações de drogas e armas. Todos contaram que foram submetidos a choques elétricos com o corpo molhado e ingeriram cera líquida."
Os policiais militares vão responder judicialmente pelos crimes de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. São eles: Edson dos Santos (ex-comandante da UPP), Luiz Felipe de Medeiros, Jairo da Conceição Ribas, Douglas Roberto Vital Machado, Marlon Campos Reis, Jorge Luiz Gonçalves Coelho, Victor Vinícius Pereira da Silva, Anderson César Soares Maia, Wellington Tavares da Silva e Fábio Brasil da Rocha.
O Ministério Público indica que PMs criaram uma "versão fantasiosa" para atrapalhar a investigação do sumiço do ajudante de pedreiro. O documento afirma que "previamente ajustados entre si, os denunciados, aproveitando-se do fato de as câmeras localizadas na frente da base estarem providencialmente com defeito, montaram versão fantasiosa da saída do denunciado da sede da UPP e passaram a fazer notícia de que este teria sido sequestrado e morto pelos traficantes daquela comunidade".
Segundo o criminalista Marcos Espínola, advogado de Victor da Silva, Douglas Machado, Jorge Luiz Gonçalves Coelho e Marlon Campos Dias, a conclusão do inquérito não contém provas que incriminem seus clientes e a prisão é um exagero. “Não há necessidade de prender réus primários, com bons antecedentes, residência fixa e emprego, podendo ser encontrados a qualquer momento para colaborar com o processo”, explicou, em nota enviada pela assessoria de imprensa.
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