Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Agente do FBI descreve minutos finais de vítimas do 11/09

Terça, 25 de Janeiro de 2005 às 11:32, por: CdB

Durante o julgamento, realizado na Alemanha, de um homem acusado pelos ataques de 11 de setembro, o filho de uma das vítimas pediu repetidamente a um agente do FBI que detalhasse o sofrimento da mãe dele nos minutos "infernais" que antecederam a colisão dos aviões contra o World Trade Center.

- O senhor poderia concluir que isso foi semelhante à tortura, isso que aconteceu com minha mãe? - perguntou o norte-americano Dominic Puopolo Jr. ao agente Mathew Walsh.

Walsh participava como testemunha do novo julgamento do marroquino Mounir El Motassadeq, acusado de ter ajudado os homens responsáveis por realizar os ataques de 2001 contra os EUA. Na ação foram mortas 2.800 pessoas.

Puopolo, que atua ao lado dos promotores alemães, tentava reforçar os argumentos contra Motassadeq.

O norte-americano, por diversas vezes, pediu que Walsh tentasse descrever o que sua mãe, Sonia Morales Puopolo, e os demais passageiros devem ter experimentado depois que os sequestradores liderados por Mohamed Atta assumiram o controle do vôo 11 da American Airlines que ia de Boston a Los Angeles.

Segundo Walsh, os efeitos do spray de pimenta jogado pelos sequestradores foram sentidos com mais intensidade na frente do avião onde a mãe de Puopolo, que sofria de asma, estava sentada. Ela ocupava a cadeira 3J, uma fileira atrás de dois dos sequestradores e cinco fileiras na frente de Atta.

- Certamente, descreveria a situação a bordo do avião como infernal - disse o agente do FBI, acrescentando que aeromoças e comissários de bordo foram esfaqueados e que um passageiro teve a garganta dilacerada.

- O avião voava de forma bastante errática e sangue era derramado a bordo.

- Foi horrível, mas tinha de deixar claro que se tratou de um assassinato - afirmou à Reuters Puopolo, do lado de fora da sala do tribunal.

Em fevereiro de 2003, Motassadeq transformou-se na primeira pessoa considerada culpada pelo envolvimento nos ataques e acabou condenado a 15 anos de prisão.

Mas o marroquino apelou e conseguiu o direito de ser julgado novamente porque provas potencialmente importantes obtidas junto a líderes da Al Qaeda detidos não haviam sido disponibilizadas para o julgamento.

Tags:
Edições digital e impressa