O governo Bush começou a monitorar iraquianos nos EUA em um esforço para identificar possíveis ameaças terroristas domésticas impostas por simpatizantes do regime de Bagdá, afirmaram autoridades seniores do governo. O programa de inteligência, não divulgado até então, envolve o rastreamento de milhares de cidadãos iraquianos e americanos com dupla cidadania que freqüentam universidades americanas ou trabalham em companhias privadas, e que poderiam impor alguma ameaça no caso de uma guerra americana contra o Iraque, disseram autoridades. Alguns dos alvos da operação estão sendo eletronicamente monitorados sob a autoridade de garantias da segurança nacional. Outros estão sendo selecionados para recrutamento como informantes. No caso de uma invasão americana no Iraque, as autoridades iriam intensificar a missão do programa através de prisões e detenções e iraquianos ou simpatizantes que pudessem planejar operações terroristas domésticas. Os oficiais do governo que confirmaram a existência do programa fizeram isso em um esforço aparente de conter as críticas no Congresso. Senadores democratas disseram que os problemas são demonstrados pela incapacidade do governo em encontrar Osama bin Laden e identificar ameaças específicas desde os ataques de 11 de setembro. O programa de inteligência doméstica foi criado para ajudar no esforço contínuo do governo desde os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono para identificar cidadãos de países do Oriente Médio que representam uma possível ameaça. Esses esforços também foram fortalecidos enquanto o país se prepara para a possibilidade de uma guerra. Esta semana, autoridades federais pretendem começar a entrevistar árabe-americanos, em busca de relatos de atividades suspeitas relacionadas ao Iraque, afirmou um oficial sênior do governo. As entrevistas serão voluntárias, mas no passado, tais esforços foram criticados por grupos de defesa de árabe-americanos. O FBI pretende se encontrar com líderes cívicos árabe-americanos para explicar os aspectos confidenciais da operação, disseram. Gordon Johndroe, um porta-voz do Escritório de Segurança Doméstica da Casa Branca, se recusou a comentar sobre o programa, que é confidencial. O esforço das agências de inteligência, particularmente do FBI, para fortalecer e expandir seus programas anti-terroristas ocorre em um momento de sérias discussões no Congresso e no governo Bush sobre a criação de uma agência de inteligência doméstica como a MI-5, a agência britânica que reúne informações sobre ameaças internas. Oficiais seniores do governo Bush se reuniram no Dia do Veterano em um encontro na Casa Branca conduzido por Condoleezza Rice, a assessora da segurança nacional, para discutir se o FBI deve deixar de ser responsabilizado pelas responsabilidades da segurança doméstica. O encontro foi reportado no sábado pelo The Washington Post. Ninguém no governo propôs formalmente a criação de uma agência de inteligência doméstica. Diversos oficiais disseram que o desmantelamento do FBI continua incerto, mas disseram que uma ampla variedade de idéias poderia ser considerada com a criação de um Departamento de Segurança Nacional. Outra parte da nova operação de inteligência envolve um esforço concentrado para avaliar se o regime de Saddam Hussein se aliou a qualquer ação, através de alianças com organizações terroristas ou esforços para obter armas, que poderia ameaçar os interesses americanos neste país ou no exterior. A operação também está rastreando o movimento do dinheiro pelo governo iraquiano, e organizações simpatizantes com o Iraque, por todo o mundo. As autoridades disseram que a operação de monitoramento não detectou qualquer ameaça específica nos EUA ou contra interesses americanos no exterior. A operação é baseada na experiência de um pequeno programa realizado na Guerra do Golfo contra o Iraque em 1991, um conflito que resultou em poucas ameaças terroristas nos EUA. Durante a guerra, o FBI e o
Agências monitoram iraquianos dentro dos EUA
Domingo, 17 de Novembro de 2002 às 22:29, por: CdB