As ações das duas empresas também já se movimentaram bastante depois do anúncio. Os papéis da Corus caíram 3,8% nas primeiras horas de negociação, enquanto as ações da CSN subiram 26% após o anúncio, para se acomodar numa alta de 12,6% às 11 horas (no horário de Brasília). O anúncio de um acordo de intenções para uma fusão com a CSN foi feito pela siderúrgica anglo-holandesa Corus nesta quarta-feira em Londres. Com isso, a Corus torna-se a quarta maior empresa siderúrgica mundial, com um faturamento estimado em US$ 13,5 bilhões. Entre os planos da empresa para o Brasil está o aumento da extração de minério de ferro da reserva da Casa de Pedra, em Minas Gerais, pertencente à CSN, do volume atual, de 10,7 milhões de toneladas por ano, para 30 milhões de toneladas. A empresa não anunciou, no entanto, se pretende processar o minério excedente no Brasil ou exportá-lo para uma de suas outras siderúrgicas. Composição acionária A CSN também deverá se concentrar na produção de aço, vendendo os negócios de outras áreas. A operação vai acontecer por meio de troca de ações. Os acionistas da CSN vão trocar seus papéis por ações de uma nova empresa, chamada TopCo. A Corus terá 62,4% das ações da nova empresa. Os sócios da CSN - que foi privatizada em 1993 - receberão os restantes 37,6% da nova empresa. Antes de ser concluído, o negócio precisa ser aprovado pelos acionistas das duas companhias. A Corus vai assumir a dívida da CSN, de US$ 2,2 milhões no fim do ano passado. Produção A fusão vai dar à nova empresa uma capacidade de produção anual de 23 milhões de toneladas de aço - a Corus é uma das líderes européias na produção de aço carbono e a CSN é uma das siderúrgicas com menor custo de produção mundial. A nova empresa terá unidades de produção no Brasil, na Europa e na América do Norte e um portfólio de produtos de aço carbono planos e longos. "A junção de forças é muito importante para a CSN, levando a um grupo maior, que vai se tornar uma companhia realmente internacional", afirmou o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch. Ele vai se tornar membro da diretoria e vice-presidente do Conselho da Corus a partir da conclusão do negócio e assumir a Presidência do Conselho de Administração da empresa quando o atual presidente, Brian Moffat, se aposentar, em 2004. "Estamos dando um passo importante e focando os negócios da Corus na produção de aço", afirmou o diretor-executivo da empresa, Tony Pedder. Ações As ações da Corus continuarão a ser negociadas nas bolsas de Londres, Nova York e Amsterdã. As ações da TopCo - o novo nome da CSN - serão listadas na Bovespa e na Bolsa de Nova York. A Vicunha, que atualmente detém 46,5% do capital da CSN, vai manter a mesma proporção de ações na nova empresa.A Corus estima em US$ 300 milhões o custo da transação, que deve gerar uma economia de US$ 250 milhões ao longo de três anos.
Agências internacionais rebaixam papéis da Corus após compra da CSN
As agências de classificação de risco Moody's e Standard & Poor's anunciaram que colocaram a dívida da Corus sob observação para uma redução potencial para o nível de "junk" (créditos podres), por causa das incertezas em relação à economia brasileira depois do anúncio de fusão com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Quarta, 17 de Julho de 2002 às 22:28, por: CdB