Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Agências de risco perdem força

Sábado, 20 de Agosto de 2011 às 04:59, por: CdB

Já era tempo de o mercado punir as agências de classificação risco, hoje sem qualquer credibilidade. Na prática, o mercado financeiro já está rifando algumas avaliações das agências de risco. Em matéria do Estado de São Paulo “Mercado se descola de agências de classificação de risco” ficou claro que a chance de calote que os investidores enxergam no Brasil em cinco anos é mais baixa do que a de um calote na França no mesmo período, a despeito de classificações de agências como Standard & Poor´s e Moody´s que indicam menor risco para papéis da França. Elas atribuírem à França a melhor nota de crédito possível e classificam os títulos do Brasil nove degraus abaixo da França.

É o  que comprova a variação da cotação dos CDS ("Credit Default Swap", papel que equivale a um seguro contra calote). Os CDS para títulos em dólares emitidos pelo governo da França, com vencimento em cinco anos, contam com 167 pontos-base. No Brasil, o papel equivalente conta com 161 pontos-base. Ou seja, quem investe US$ 100 nesses títulos paga mais US$ 1,67 para se prevenir de uma possível moratória francesa. Já, nos papéis do Brasil, desembolsa US$ 1,61.

O descolamento entre as agências de risco e o mercado pode ser comprovado, ainda, pelo fato de Bélgica, Itália e Espanha continuarem a ser avaliadas com a letra A, enquanto Brasil, México, África do Sul e Rússia ainda estarem na faixa da letra B. Mas o que se paga pelo CDS nesses casos indica um risco mais alto nos três países europeus do que de nos quatro emergentes.

Seus prejuízos ainda não foram "precificados"

O que vemos, no entanto, em que pese o fato de o mercado já desconfiar de suas avaliações, infelizmente as agências de risco ainda não foram penalizadas pela Justiça. Da mesma forma como elas próprias o fazem, podemos dizer que o prejuízo que deram ainda não foi devidamente precificado.

A atuação dessas agências na crise de 2008-2009 fala por si. Contudo, escaparam impunes, graças aos interesses envolvidos e à preservação do sistema, que continua intacto e atuando sempre na mesma linha suicida. São háveis em usar uma complexa rede de comunicação para lhes conferir uma credibilidade e uma legitimidade que estão longe de ter.

É necessário, portanto, que o nosso governo estimule a criação de uma agência de risco latino-americana e que o país se apóie nas agências de avaliação independentes e novas agências. Já passou da hora de ficarmos à mercê dos interesses do sistema financeiro norte-americano que as grandes agências de risco apresentam.

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