O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI dos Correios, vai pedir, nesta terça-feira, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico das agências de publicidade DNA e SMP&B, de Marcos Valério, acusado de ser o intermediário do mensalão e também de ter feito saques em espécie, entre julho de 2003 e maio deste ano, de R$ 20,6 milhões do Banco Rural, para, supostamente, comprar fazendas e gado. Suas fazendas também serão vistoriadas a pedido do relator.
Os integrantes da CPI também vão requisitar que o Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envie o relatório que mostra a retirada do dinheiro das contas das agências SPM&B, R$ 16,5 milhões, e DNA, R$ 4,4 milhões, no Banco Rural, em Belo Horizonte.
A CPI também pode convocar a direção do Coaf para uma reunião secreta, no intuito de saber se há outros responsáveis pelos saques acima de R$ 100 mil. Desde 1993, existe uma lei que obriga os bancos a informar ao Coaf todos os saques feitos acima desse valor, para tentar diminuir os crimes de lavagem de dinheiro.
A DNA e SMPB têm algumas das mais gordas contas de publicidade do governo Lula e controlam as contas da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, sobre a qual recaem indícios de corrupção que motivaram a instalação da CPI dos Correios. O publicitário irá depor na comissão semana que vem.
Para o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), os indícios de irregularidades nas transações feitas por Marcos Valério são grandes:
- É muito dinheiro para comprar vaca e boi. Essa deve ser somente uma das fontes do mensalão. A corrupção nas estatais tem relação direta com o pagamento do mesada.