Pedinte em Dublin; Moody's questiona capacidade da Irlanda em cumprir redução do deficit
A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou nesta terça-feira a nota de crédito da Irlanda ao nível de grau especulativo (também chamado de junk, ou lixo, em tradução literal), alegando que as perspectivas para os títulos do país continuam negativas.
É a primeira agência de risco a colocar em dúvida a capacidade da Irlanda em cumprir os termos do pacote de resgate financiado por União Europeia e FMI.
Na semana passada, a Moody’s já havia rebaixado Portugal ao nível junk, despertando críticas por parte da União Europeia, que disse que o rebaixamento foi baseado em "em cenários absolutamente hipotéticos" e feito em momento "questionável".
A agência disse nesta terça que sua decisão de rebaixar a nota da Irlanda, de Baa3 para Ba1, é baseada "na crescente possibilidade" de o país precisar de um segundo pacote de resgate antes de voltar a conseguir a obter empréstimos no mercado financeiro.
Além disso, deixou em aberto a possibilidade de mais rebaixamentos, se o governo irlandês não conseguir cumprir suas metas de redução de deficit ou no caso de uma eventual moratória na Grécia (o que abalaria a confiança dos mercados europeus e mundiais).
A decisão da Moody’s foi "lamentada" pela Comissão Europeia, que na semana passada já questionara o "comportamento" das agências de risco.
Na ocasião, o chanceler grego, Stavros Lambrinidis, declarou que as agências haviam exacerbado uma situação já vista como difícil na Europa.
Dívidas
O rebaixamento ocorre em meio a preocupações, em toda a zona do euro, de contágio da crise da Grécia em outros países da região.
Além de Portugal e Irlanda, receptoras de pacotes de resgate, as preocupações abrangem também as dívidas da Itália e da Espanha.
O cenário de incerteza provocou quedas nas bolsas de valores de todo o mundo nesta terça.
Ministros de Finanças europeus reunidos em Bruxelas afirmaram que estão engajados em um "comprometimento absoluto para salvaguardar a estabilidade financeira na zona do euro".
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