Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Agência nuclear de Israel inaugura site, mas mantém segredos

Domingo, 04 de Julho de 2004 às 09:58, por: CdB

O mundo deu no domingo sua primeira espiada oficial, mas pouco reveladora, no complexo nuclear secreto israelense de Dimona, após o lançamento de um novo site de Internet criado pela Comissão de Energia Atômica do país.

Mas a foto colorida do que Israel chama de Centro de Pesquisa Nuclear Negev -- local onde especialistas suspeitam que foram fabricadas ogivas nucleares -- mantém a visão limitada a um gramado que leva ao reator de domo branco no fundo. Não há pessoas na foto.

Neste local trabalhou Mordechai Vanunu, que revelou segredos nucleares de Israel e foi libertado em abril após 17 anos de prisão por traição.

Vanunu tirou suas próprias fotos -- 60 ao todo -- dentro do reator de Dimona e as entregou para o jornal Sunday Times, da Grã-Bretanha, em 1986.

Especialistas independentes examinaram as fotos e concluíram que Israel produziu entre 100 e 200 ogivas nucleares na instalação.

"O Centro de Pesquisa Nuclear Negev foi criado no final de 1959, e o reator de pesquisa no centro entrou em operação depois", diz o site.

O site afirma que a pesquisa em Dimona tem como objetivo "expandir e aprofundar o conhecimento básico de ciência nuclear e campos relativos e de fornecer infra-estrutura para a utilização prática e econômica de energia atômica."

Ao lançar o site, a comissão segue os passos de outra agência secreta israelense, o serviço de inteligência Mossad, que agora coloca anúncios na Internet procurando espiões.

Inspetores internacionais não têm permissão para entrar no reator de Dimona.

Segundo uma política de "ambiguidade estratégica", Israel não reconhece ter armas nucleares, dizendo somente que não será o primeiro país a usá-las no Oriente Médio.

O chefe da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU), Mohamed ElBaradei, vai a Israel na terça-feira para tentar convencer o país a abrir seu programa nuclear. Não há visita a Dimona na agenda.

Uma autoridade israelense de alto escalão disse que não haverá mudança na política até que a situação regional melhore.

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