A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) das Nações Unidas admitiu nesta quinta-feira ter acusado erroneamente o Irã de haver escondido informações sobre a importação de equipamentos para seu programa nuclear.
O governo iraniano deve aproveitar a confissão para colocar em dúvida as investigações sobre o que diz ser um programa nuclear pacífico, cujo objetivo é produzir energia elétrica.
Os Estados Unidos acusam o governo de Teerã de tentar desenvolver armas atômicas.
Em um relatório do dia 1o de junho, a AIEA dissera que o Irã não havia declarado a importação de peças de centrífugas P-2 até abril.
Mas os iranianos apresentaram uma fita gravada provando que haviam informado a agência verbalmente, em janeiro, sobre a compra do equipamento. "Essa comunicação oral não foi registrada pelos inspetores da agência e, portanto, não se refletiu (no relatório de 1o de junho)", afirmou o inspetor Pierre Goldschmidt, em um comunicado ao quadro de diretores da agência.
"Tudo não passou de um grande erro", afirmou Hossein Mousavian, secretário da comissão de política externa do Supremo Conselho Nacional de Segurança, um órgão do Irã. Ele disse que Teerã saudou o fato de a agência da ONU ter corrigido o erro, mas disse que o relatório havia prejudicado o clima do encontro.
No entanto, o chefe da AIEA, Mohamed ElBaradei, disse que se tratou de um erro ínfimo da agência e que os iranianos poderiam ter ajudado a corrigi-lo antes que fosse parar no relatório.
"Vocês têm que entender que trabalhamos com milhares de documentos e sites", disse ElBaradei. "Todo mundo comete erros".