Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Agência inglesa mantém dívida brasileira sob observação negativa

O diretor para dívidas soberanas da agência de classificação Fitch Ratings, David Ridley, manteve a classificação soberana do Brasil em observação negativa. "A situação brasileira neste momento é muito dinâmica e vamos acompanhar atentamente alguns fatores de risco, como saída de capitais, diminuição das reservas e o quadro político", disse. (Leia Mais)

Quarta, 14 de Agosto de 2002 às 11:51, por: CdB

Segundo os analistas da Fitch, uma deterioração desses fatores poderá eventualmente causar um rebaixamento da classificação do país. Em contrapartida, caso o Brasil supere a atual turbulência, com o próximo governo iniciando o seu mandato com um câmbio mais estável, tendência de juros em baixa, perspectiva de maior crescimento econômico e solidez na área fiscal, a classificação do País poderá ser elevada. Eleições Ridley afirmou ainda que, apesar do candidato do PSDB à Presidência, José Serra estar distante do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e do candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, nas pesquisas eleitorais, o tucano poderá recuperar terreno com o início da campanha na televisão e o apoio da máquina institucional do governo federal e do presidente Fernando Henrique Cardoso. A Fitch acredita que a equipe econômica está tentando montar uma estrutura de transição que mantenha a solvência do País no início do próximo governo, seja quem for o vencendor das eleições presidenciais. "Acreditamos que, se a oposição vencer as eleições, haverá um maior pragmatismo do candidato eleito, que tenderá a manter a meta de superávit primário em 3,75% do PIB", disse o diretor da Fitch para a América Latina, Roger Scher. "Além disso, o próximo presidente também terá que formar uma coalizão de governo para obter apoio no Congresso Nacional." Segundo Scher, a possibilidade de Armínio Fraga ser mantido na presidência do Banco Central "num governo de Lula e Ciro Gomes não é a mais forte, mas não pode ser descartada". Ridley observou que o acordo com o FMI no próximo ano poderá enfrentar problemas caso as autoridades do fundo decidam elevar a meta de superávit primário nas revisões trimestrais previstas pelo acordo firmado na semana passada. "Acredito que a meta de 3,75% será aceita pelo novo presidente, mas se houver uma necessidade de elevação do superávit primário para 4% ou 4,5%, poderão ocorrer problemas", afirmou. O analista disse que o Brasil precisa continuar adotando reformas que melhorem a sua situação fiscal, principalmente na Previdência Social. Scher acrescentou que uma meta de superávit primário superior a 4,5% do PIB "seria um objetivo muito difícil de ser atingido diante da situação no País".

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