Inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) chegarão ao Irã, nesta sexta-feira, para visitar instalações nucleares, incluindo a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, segundo informou uma autoridade iraniana nesta terça-feira. A visita segue o anúncio do Irã, na semana passada, de que enriqueceu urânio para uso em usinas de energia pela primeira vez. A declaração intensificou os temores de países ocidentais de que Teerã tenha um projeto clandestino de fabricar bombas atômicas.
O Irã insiste que sua tecnologia nuclear é destinada a uso civil e, segundo disse um porta-voz do governo às potências mundiais nesta terça-feira, o país continuará defendendo seu direito de desenvolver tecnologia nuclear, independentemente, do que esses países decidirem em um encontro marcado para acontecer em Moscou, nestas terça e quarta-feiras. Os EUA, que acusam o Irã de tentar fabricar armas atômicas, devem defender, na reunião, a adoção de sanções pontuais contra o governo iraniano.
Participam do encontro os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU): EUA, Rússia, França, Grã-Bretanha e China e a Alemanha. Os vice-chanceleres dos seis países reúnem-se antes de terminar, no final de abril, um prazo para que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) envie um relatório para a ONU dizendo se o Irã cumpriu a exigência de suspender as atividades relacionadas com o enriquecimento de urânio.
- Recomendo que eles não tomem decisões precipitadas, que sejam prudentes e que estudem o que fizeram no passado. Todas as vezes em que eles pressionaram o Irã, os resultados foram negativos - disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã segundo a agência iraniana de notícias Irna.
O porta-voz, Hamid Reza Asefi, disse mais tarde a um canal de TV que "qualquer que seja o resultado desse encontro, o Irã não abandonará seu direito (de desenvolver a tecnologia nuclear)". O governo iraniano desafiou a ONU na semana passada ao declarar que enriqueceu urânio até um nível suficiente para que o material seja usado como combustível em usinas de energia. O país disse ainda que pretende fabricar o material em escala industrial.
As declarações alimentaram a tensão na comunidade internacional e fizeram o barril do petróleo subir para além de seu recorde de US$ 72. Os EUA afirmam defender uma solução diplomática para a crise, mas não descartaram a possibilidade de usar a força. Outros membros do Conselho de Segurança opõem-se à opção militar. A China, contrária, como a Rússia, à imposição de sanções e a eventuais ataques, pediu que os envolvidos dêem provas de moderação.
Os norte-americanos, que já impõem sanções amplas contra o Irã, disseram desejar que o Conselho de Segurança prepare-se para a adoção de medidas diplomáticas duras, entre as quais o congelamento de bens do país e a imposição de limites na emissão de vistos.
- Nessa área, nós já usamos todas as nossas armas. Nosso comércio está reduzido a pistaches e tapetes - afirmou Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, acrescentando não esperar que qualquer decisão seja adotada no encontro de Moscou.
O governo norte-americano diz não desejar embargar o petróleo ou o gás natural iranianos a fim de evitar que a população do país sofra. O Irã é o quarto maior exportador do produto no mundo.
Oposição aos EUA
A China, que mandou um enviado para o Irã na sexta-feira a fim de tentar romper o impasse, repetiu seu apelo em defesa de uma solução negociada.
- Esperamos que todos os lados mostrem-se ponderados e flexíveis a fim de criar as condições favoráveis para uma solução apropriada da questão nuclear iraniana por meio de negociações diplomáticas - disse em Pequim Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa.
A Rússia também repetiu ser contrária à adoção de ações punitivas.
- Estamos convencidos de qu