Presidente Barack Obama anda preocupado com os rumos da economia norte-americana diante possível calote da dívida
A agência de classificação de risco Fitch alertou nesta terça-feira que pode cortar o rating "AAA" dos Estados Unidos citando a disputa política sobre a elevação do teto da dívida do país. A data final para um acordo no Congresso e a liberação ao presidente Barack Obama para ampliar o teto da dívida pública é nesta quinta-feira.
"Embora a Fitch continue acreditando que o teto da dívida será elevado em breve, a disputa política e a reduzida flexibilidade de financiamento pode elevar o risco de default dos EUA", informou a agência em comunicado.
A agência colocou sua opinião sobre a qualidade do crédito do governo norte-americano no que chama de Ratings Watch Negative, um reflexo do crescente risco de default no curto prazo se o teto da dívida não for elevado a tempo. A Fitch deu até o fim do primeiro trimestre de 2014 para decidir se vai realmente rebaixar o rating.
Ainda assim, a Fitch reafirmou a crença de que um acordo para elevar o teto da dívida será firmado, permitindo que o governo dos EUA pague as contas ao tomar emprestado além do limite, atualmente em vigor, de US$ 16,7 trilhões.
A Fitch é a única das três principais agências de crédito a ter perspectiva negativa para o rating soberano dos EUA. A Standard & Poor's rebaixou o rating para "AA+" em agosto de 2011 durante o último impasse do teto da dívida.
– Parece com o que vimos da S&P logo antes do rebaixamento, eles estão essencialmente alertando-nos de que o impasse sobre o teto da dívida não será tolerado e não está em linha com um país que mantém o rating de crédito 'AAA'. Ao citar esses riscos artificiais de default como a principal razão... eles estão essencialmente dizendo: resolva isso agora – disse Gennadiy Goldberg, estrategista de taxas de juros do TD Securities em Nova York.
A Fitch reiterou que o atraso em elevar a capacidade de empréstimo dos EUA levanta questões sobre a credibilidade do país em honrar suas obrigações.
A Moody's classifica a dívida do governo dos EUA em "Aaa" com perspectiva estável.
O Tesouro já informou que nesta quinta-feira, dia 17 de outubro, ou em torno dessa data, os EUA atingirão o teto da dívida. A Fitch está operando na suposição de que mesmo se o limite da dívida não for elevado antes ou pouco após 17 de outubro, haverá disposição e capacidade política suficiente para garantir que os EUA honrem suas obrigações.
Um porta-voz do Tesouro dos EUA disse que a decisão da Fitch é um lembrete para os parlamentares norte-americanos de que os EUA estão perigosamente próximos de um default. Negociações entre o presidente Barack Obama e líderes parlamentares passaram por vaivém novamente nesta terça-feira, mas não chegou a acordo para reabrir o governo e elevar o teto da dívida.
Na semana passada, a Fitch disse que iria considerar calote se os EUA deixarem de pagar juros ou o principal dos títulos do Tesouro.
– Isso levo ao conhecimento dos investidores que esse tipo de risco está no horizonte. Veremos o que acontece. Eu estava esperançoso mais cedo hoje (terça-feira) de que os lados estavam caminhando em direção a um acordo, mas agora, não sei – disse o gestor de carteira do Pioneer Investment Management, John Carey. Ficou desapontado.
O alerta veio após o fechamento das bolsas, ao fim de uma sessão volátil em que os principais índices acionários recuaram em meio à incerteza. Na reta final do pregão em Nova York, o dólar desabou às mínimas da sessão contra o iene e reduziu ganhos contra o euro.
– Não é assim que o dólar se comportou durante a crise do Lehman ou durante o rebaixamento da dívida pela S&P em agosto de 2011. Então nós achamos que sim, quanto mais o rating dos EUA for questionado, pior será para o dólar – disse o estrategista-sênior de câmbio do BNY Mellon, Michael Woolfolk.
Os preços dos Treasuries, que já mostravam fraqueza antes do anúncio da Fitch, mantiveram as perdas do dia.
– Os EUA têm capacidade absoluta de pagar sua dívida. Essa decisão não diz respeito à capacidade de pagar. Diz respeito a governança e disposição para pagar. Nessa categoria, os EUA atingiram a fronteira do fracasso político – disse o chairman e vice-presidente de investimentos do Cumberland Advisors, David Kotok.
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