Ao final da partida, James Blake, como os demais em Flushing Meadows, não teve escolha a não ser abraçar a lenda. A impressionante recuperação de Andre Agassi, que virou a partida pelas quartas-de-final do Aberto dos EUA após perder por 2 sets a 0 e com uma quebra de saque por parte do seu oponente, começou na quarta-feira, terminou na quinta e será lembrada por anos.
O jogador de 35 anos de idade ganhou por 3-6, 3-6, 6-3, 6-3 e 7-6 com uma devolução de saque de forehand que atingiu com perfeição a junção entre as linhas no fundo da quadra, nove minutos depois da uma hora da manhã desta quinta-feira.
- Não sei se já me senti tão bem aqui antes - disse Agassi, que já ganhou oito torneios de grand slam e que enfrentará outro norte-americano, Robby Ginepri, na semifinal.
- Todo este apoio significa tudo para mim. Me senti ótimo - ressaltou.
No dia em que a norte-americana Lindsay Davenponrt, número um do mundo, foi vencida por uma russa com um dos piores saques do tênis feminino, Agassi e seu adversário elevaram o espírito dos EUA.
Blake, que salvou um match point com um forehand na linha, recebeu a derrota que nem merecia com a honra de um homem que fez sua parte em um grande momento do esporte.
- Perder não poderia ter sido mais divertido - disse o tenista de 25 anos ao parabenizar um jogador que admite ser o seu ídolo.
- Quero ver você fazer isso de novo - disse.
Blake teve duas fraturas em vértebras no ano passado, perdeu o pai, vítima de câncer, e sofreu uma espécie de herpes que paralisou metade de sua face.
Agassi é o semifinalista mais velho do Aberto dos EUA desde que Jimmy Connors chegou às semifinais, em 1991, aos 39 anos. A vitória sobre Blake, segunda consecutiva em cinco sets, mostrou que falar sobre sua aposentadoria é algo prematuro.