Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Africanos não discutem vagas no Conselho da ONU

Terça, 05 de Julho de 2005 às 07:36, por: CdB

A União Africana (UA) deu aval a reivindicações de reformas no Conselho de Segurança da ONU de forma a dar mais duas vagas permanentes ao continente, mas não chegou a uma conclusão sobre a forma de escolha desses representantes.

Diplomatas que participam da cúpula da UA na Líbia disseram que a reunião, no seu segundo e último dia, ficou sem tempo para lidar com o assunto. Além disso, de acordo com eles, os governantes não quiseram provocar atritos entre Nigéria, África do Sul e Egito, os principais candidatos às vagas.

Os líderes africanos adotaram na noite de segunda-feira a recomendação de seus chanceleres no sentido de exigir duas vagas permanentes no Conselho para a África. Os ministros também solicitavam três vagas rotativas para a África, mas os chefes de Estado e governo resolveram pedir cinco.

- Concordamos em princípio, mas não entramos no processo de seleção - disse o chanceler sul-africano, Nkosazana Dlamini-Zuma.

-Isso será negociado - disse ainda. 

- A África tem uma forma de selecionar seus representantes, é assim será feito - acrescentou Said Djinnit, comissário de Paz e Segurança da União Africana.

Líbia, Quênia, Senegal e Gana também foram mencionados como possíveis candidatos às vagas permanentes, mas a chancelaria líbia disse que Trípoli abriria mão da indicação em favor de um país pequeno que tenha credibilidade por seu trabalho no continente.

O Conselho de Segurança é o órgão da ONU que toma decisões sobre guerras, paz, sanções e operações militares de estabilização. Atualmente, tem 15 membros - dez com mandatos de dois anos e cinco permanentes, com poder de veto.

Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China são os membros permanentes. Duas vagas não-permanentes estão reservadas para a África subsaariana. O Norte da África ocupa uma vaga em anos alternados, dividindo-a com o Oriente Médio.

Brasil, Alemanha, Japão e Índia, que também aspiram a uma vaga permanente, propuseram uma resolução que ampliaria o Conselho para 24 membros, mas adiaria o poder de veto dos novos membros permanentes por 15 anos.

- A principal questão é que os presidentes e primeiros-ministros da África estão relutantes, ou não estão prontos, para discutir os critérios da vaga permanente. Eles querem manter uma frente unida - disse um diplomata tanzaniano.

- O medo é porque ninguém quer alimentar o rancor entre os competidores, que são tradicionalmente as maiores potências da África. Os líderes dos países envolvidos vão provavelmente assumir a campanha para si, visitando outros países para obter apoio para suas posições - disse um diplomata zambiano.

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