Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

Afegãos realizam protesto contra os EUA em Cabul

Cerca de 300 afegãos gritaram slogans antiamericanos e antibritânicos em Cabul - Bagdá - nesta terça-feira, no primeiro protesto deste tipo desde que as forças lideradas pelos Estados Unidos derrubaram o governo fundamentalista do Talibã, no fim de 2001. (Leia Mais)

Terça, 06 de Maio de 2003 às 06:07, por: CdB

Cerca de 300 afegãos gritaram slogans antiamericanos e antibritânicos em Cabul - Bagdá - nesta terça-feira, no primeiro protesto deste tipo desde que as forças lideradas pelos Estados Unidos derrubaram o governo fundamentalista do Talibã, no fim de 2001. Entre os manifestantes estavam funcionários públicos e estudantes universitários, que reclamaram da crescente insegurança, da demora na reconstrução no pós-guerra e do atraso nos pagamentos dos salários estatais pelo governo de Hamid Karzai, que tem apoio dos EUA. Alguns chegaram a pedir a retirada das forças lideradas pelos EUA do Afeganistão e disseram que chegou a hora de os afegãos lutarem contra a "invasão americana", da mesma maneira como resistiram aos britânicos e soviéticos no século 20. "Não queremos os britânicos e os americanos!", gritou um dos líderes do protesto, um jovem estudante da Universidade de Cabul. "Queremos o governo do Islã. Queremos segurança. Eles não conseguiram trazer segurança e queremos que saiam!" Outro manifestantes gritou: "Morte a Bush! Morte à América!" O protesto foi um evento raro em Cabul, onde manifestações passadas eram geralmente organizadas pelo governo. O protesto foi montado pelo "Centro Científico", liderado por Sediq Afghan, um proeminente filósofo afegão conhecido por suas críticas ao regime comunista dos anos 1980, aos governos mujahideen e ao Taliban. Sediq prometeu continuar realizando protestos pacíficos até que "as exigências do povo de Cabul" sejam cumpridas. Ele disse que isso significa mais segurança, melhorias na economia e progresso na reconstrução pós-guerra. "Eles falam em reconstrução, mas em vez disso estão ficando mais ricos", disse aos manifestantes. Um manifestante reclamou da presença de "cristãos e judeus" nas forças lideradas pelos EUA. "Chegou a hora de fechar o caixão da Casa Branca. Se tivéssemos cachorros em vez destes judeus e cristãos, teríamos segurança." Muitos afegãos dizem que as únicas mudanças percebidas depois da queda do Taliban foram o fim do uso das burcas por algumas mulheres e o aparecimento da Internet. O presidente Hamid Karzai luta para manter o controle fora de Cabul e também já reclamou da demora do envio de doações para a reconstrução.

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