Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Afegãos denunciam maus tratos em Guantánamo

Terça, 16 de Março de 2004 às 07:01, por: CdB

Um grupo de 23 afegãos detidos na base norte-americana de Guantánamo (Cuba) por até dois anos e meio foi libertado em Cabul nesta terça-feira em meio a denúncias de abusos e de prisão ilegal.

Os homens estavam entre os 26 prisioneiros que deixaram Cuba no final de semana depois de terem ficado longos períodos detidos sem acusação formal ou direito a um advogado. Três paquistaneses seguiram para seu país após pousarem na base militar dos EUA em Bagram (ao norte de Cabul), na segunda-feira à noite.

Os detidos tinham sido capturados e levados para Cuba depois de forças norte-americanas terem invadido o Afeganistão no final de 2001, derrubando do poder o regime fundamentalista do Taliban. ``Não sabíamos qual era o nosso crime'', disse um dos ex-prisioneiros, Lall Gul. ``Eles apenas nos prenderam e nos levaram para a prisão de Guantánamo.''

O grupo foi formalmente libertado pela polícia afegã nesta terça-feira de manhã. Alguns não quiseram falar com os jornalistas, mas outros defenderam com vigor sua inocência.
Um homem de 27 anos, da Província de Helmand, cujo nome seria Mohammad, disse à Reuters ter sido capturado por forças do líder militar anti-Taliban Abdul Rashid Dostum e entregue para os EUA.
Ele contou que os prisioneiros eram torturados psicológica e fisicamente. ``Éramos tratados tão mal que não consigo achar palavras para explicar isso. A tortura psicológica era pior do que a física.'' Não havia nenhum respeito por nossa cultura ou nossa religião. Animais eram tratados melhor do que a gente. Se não seguíssemos as ordens deles, eles nos batiam.'' 

Ele disse ter deixado sete amigos inocentes em Guantánamo e acrescentou: ``Não estou feliz pelo fato de ter voltado sem eles.''Os EUA negaram ter submetido os detentos da base naval a maus-tratos.

Alguns dos homens libertados pegaram cópias do Alcorão depois de serem entrevistados pela Comissão Internacional da Cruz Vermelha (ICRC), que monitorava as condições de vida deles em Guantánamo. 

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