Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Afeganistão anuncia eleição presidencial para 9 de outubro

Sexta, 09 de Julho de 2004 às 12:04, por: CdB

O Afeganistão vai realizar eleições presidenciais históricas no dia 9 de outubro, anunciou nesta sexta-feira o conselho eleitoral do país, ligado à ONU, apesar do aumento da violência por parte de militantes que tentam impedir a primeira votação direta da história afegã.

Mas as eleições parlamentares, que deveriam acontecer ao mesmo tempo, foram adiadas para abril de 2005, disse Zakim Shan, o presidente do órgão eleitoral conjunto (JEMB), num pronunciamento na emissora estatal TV Cabul.

O governo do presidente Hamid Karzai, apoiado pelos Estados Unidos, tinha previsto as duas eleições para junho, mas problemas logísticos e a falta de segurança no sul e no leste do país o obrigaram a retardar o pleito.

Guerrilheiros do Taliban, grupo que comandava o Afeganistão e que foi derrubado pelos EUA após os ataques de 11 de setembro de 2001, juraram fazer de tudo para impedir a eleição.

Nas últimas semanas, guerrilheiros mataram vários funcionários do órgão eleitoral. No pior ataque, 16 passageiros de um ônibus que portavam seus novos títulos de eleitor foram assassinados.

Karzai é considerado favorito para a eleição presidencial. Mas pelo menos uma dezena de rivais demonstraram intenção de desafiá-lo. As diferenças étnicas que devem guiar os votos podem forçar Karzai a enfrentar um segundo turno.

Mais de 6 milhões de pessoas, do total de cerca de 10 milhões, já se registraram para votar, mas os constantes ataques e a demora em desarmar as milícias lançam dúvidas sobre a possibilidade de uma eleição livre e justa.

Alguns especialistas alegam que a falta de segurança é motivo suficiente para adiar tanto o pleito presidencial como o parlamentar. Mas lembram que Karzai está sob pressão dos EUA para realizar a eleição, e que quanto mais cedo ela ocorrer, maiores são as chances do atual presidente.

O Afeganistão seria uma boa propaganda eleitoral para o presidente dos EUA, George W. Bush, que tenta a reeleição em novembro e enfrenta duras críticas pelo desenrolar dos fatos no Iraque pós-guerra. Os analistas acreditam, porém, que uma nova onda de violência pode fazer o tiro sair pela culatra.

O Taliban classificou a eleição como uma manobra para legitimar o governo apoiado pelos EUA.

Os ataques militantes mataram centenas de pessoas este ano no Afeganistão, e a força liderada pelos EUA, com 20 mil soldados, advertiu sobre a escalada de ataques até a eleição.

Na última quinta-feira, uma funcionária do órgão eleitoral foi morta por uma mina terrestre, no segundo ataque fatal em menos de duas semanas contra o registro de mulheres para o voto.

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