Rio de Janeiro, 05 de Abril de 2026

Afastado da disputa, Garotinho procura espaço fora do PMDB

Por Maurício Thuswohl - Transportado, contra a própria vontade, da condição de protagonista da disputa política nacional para um súbito e incômodo ostracismo desde que o PMDB lhe tirou da boca a candidatura à Presidência da República, Anthony Garotinho agora se esforça para recuperar terreno fora do partido. (Leia Mais)

Domingo, 09 de Julho de 2006 às 20:03, por: CdB

Transportado, contra a própria vontade, da condição de protagonista da disputa política nacional para um súbito e incômodo ostracismo desde que o PMDB lhe tirou da boca a candidatura à Presidência da República, Anthony Garotinho agora se esforça para recuperar terreno fora do partido. O ex-governador do Rio de Janeiro ainda busca uma maneira de ecoar sua voz nessa campanha eleitoral e procura um espaço para fazer política a partir de 2007. A tentativa de usar como tribuna o tempo do nanico PSC no rádio e na televisão durante a propaganda eleitoral não se concretizou, pois a direção do partido decidiu privilegiar as alianças regionais em detrimento da candidatura própria no estilo "boneco de ventríloquo" sugerida por Garotinho. Outra opção de vitrine imaginada - a volta ao primeiro escalão do governo do Rio até o fim do mandato de sua mulher, a governadora Rosinha Matheus - também teve que ser abortada em respeito à nova lei estadual contra o nepotismo.

Nesse contexto, as declarações de simpatia à candidatura de Cristovam Buarque feitas durante a semana são um reflexo dessa dupla busca de Garotinho por espaço na campanha e abrigo político no ano que vem, além de alimentar a possibilidade de retorno ao PDT, opção dos sonhos do ex-governador. Ainda que a opção mais provável num primeiro momento seja mesmo o ingresso no PSC - legenda "adotada" por seu grupo político desde 2003 - o flerte com o partido que o fez surgir para a vida pública é o principal trunfo de Garotinho para se manter na primeira divisão da política nacional nos próximos dois anos e tentar nova aventura eleitoral em 2008.

Quem cuida da herança deixada por Leonel Brizola no PDT é seu presidente nacional, Carlos Lupi, que também é candidato ao governo do Rio. Não é segredo que Lupi não topa o casal Garotinho, mas ele sabe que o apoio do ex-governador nessa campanha, ainda que informal, pode ajudar o partido a superar a cláusula de barreira necessária à sua sobrevivência. Garotinho já conversou com Cristovam e sabe que, mesmo apoiando a candidatura pedetista, não poderá usar em causa própria o exíguo tempo de propaganda gratuita a que terá direito o PDT na mídia. Ainda assim, o apoio ao senador do Distrito Federal pode ser anunciado em breve por um Garotinho de olho no seu futuro político.

No calor do seu afastamento da disputa presidencial, o apoio à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) chegou a ser ensaiado, mas a idéia foi logo abandonada devido à impossibilidade de equacionar as diferenças entre os partidos no que diz respeito às candidaturas de Eduardo Paes (PSDB) e Sérgio Cabral Filho (PMDB) ao governo do Rio de Janeiro. Além disso, o apoio a Alckmin afastaria Garotinho da posição de "terceira via" entre tucanos e petistas, papel que pretendia construir na campanha e sobre o qual pretende se apresentar daqui pra frente. No caso do PDT, não existem maiores problemas regionais, uma vez que Cabral Filho parece não considerar a candidatura de Lupi uma ameaça.

"Plano B" fracassa

Assim que passou a considerar irreversível sua derrota no PMDB, Garotinho tentou bancar a candidatura própria do PSC, uma espécie de "plano b" que iria lhe garantir cerca de dois minutos diários na propaganda eleitoral. O candidato do PSC seria Rogério Vargas, que foi secretário de Administração no governo Garotinho e é um de seus principais aliados. Vargas cederia seu espaço a Garotinho, que teria que se desfiliar do PMDB para poder participar do programa de outro partido e somente poderia ingressar na legenda após as eleições. O mesmo caminho seria seguido por Rosinha.

Apesar de nanico, o Partido Social Cristão (PSC) não é um partido novo. Fundado em 1985, a legenda sempre serviu à organização política das igrejas evangélicas, fato que permitiu a aproximação de Garotinho. Durante o processo de construção da base de apoio ao governo Rosinha na Assembléia Legislativa do Rio, no início de 2003, o casal passou a controlar o partid

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