Aedes aegypti: Exército e Vigilância Ambiental fazem mutirão em Brasília
Uma força-tarefa fizeram nesta sexta-feira ações para identificar e eliminar focos do Aedes aegypti na Central de Abastecimento de Hostifrutigranjeiros (Ceasa) do Distrito Federal.
O sargento informou ainda que o Exército está atuando em parceria com a Vigilância Sanitária desde dezembro, visitando casas em todas as regiões administrativas do Distrito Federal
Por Redação, com ABr - de Brasília:
Uma força-tarefa fizeram nesta sexta-feira ações para identificar e eliminar focos do Aedes aegypti na Central de Abastecimento de Hostifrutigranjeiros (Ceasa) do Distrito Federal. No total, 50 pessoas, do Exército, da Vigilância Ambiental e funcionários da própria central, participaram da operação. Elas distribuíram folhetos informativos sobre o combate ao mosquito e a prevenção e sintomas das doenças transmitidas por ele, como a dengue, a zika e a chikungunya.
Segundo o sargento do Exército Alder Áquila, coordenador da operação, até as 10h ainda não havia sido identificado nenhum foco. “O maior problema do local é o entulho. Mas já identificamos esse entulho e o pessoal da limpeza foi acionado para retirá-lo”, disse.
Uma força-tarefa fizeram nesta sexta-feira ações para identificar e eliminar focos do Aedes aegypti
O sargento informou ainda que o Exército está atuando em parceria com a Vigilância Sanitária desde dezembro, visitando casas em todas as regiões administrativas do Distrito Federal, conscientizando a população e trabalhando na identificação e na eliminação do mosquito.
De acordo com o presidente da Ceasa-DF, José Deval, todas as sextas-feiras os 32 funcionários da equipe de limpeza fazem uma ação diferenciada no local para combater o mosquito. “A área é extensa, quase 28 hectares, mas a equipe de limpeza faz a varreção de todo o local diariamente. A madeira e os papelões são separados e o pessoal da cooperativa de reciclagem vem recolher. A nossa preocupação é com uma boca de bueiro, por exemplo, onde pode cair um copinho de café e a água pode acumular.”
A Ceasa-DF ocupa uma área equivalente a 40 campos de futebol, onde circulam mensalmente 250 mil pessoas, entre produtores, empresários, compradores e funcionários.
Enfraquecimento de medidas
O desenvolvimento de uma vacina para a febre amarela, nos anos 30, e a erradicação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, na década de 50, fez com que o governo relaxasse as medidas de controle do mosquito, o que permitiu sua reintrodução no país no final da década de 60, afirmou o professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Delsio Natal.
Em evento promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, o professor apresentou um panorama da trajetória do mosquito no Brasil, desde o século XVII, quando houve a primeira campanha contra a febre amarela no país. O presidente da associação participou do evento e ressaltou que problemas de infraestrutura e de abastecimento de água favorecem a proliferação do mosquito.
– Nós não vamos conseguir erradicar o mosquito, precisamos baixar a densidade dele – disse o professor, ao avaliar que uma segunda erradicação seria muito difícil, além de dispendiosa. “Agora nós vamos ter que controlar as epidemias, controlar as doenças que estão chegando, que é o mais imediato e talvez sufocar a epidemia com algum método, alguma técnica”.
Segundo Natal, os métodos que já existem para combate ao Aedes aegypti funcionam e só dependem de uma gestão correta para sua eficácia. “Falta muita gente (especializada) nos municípios, falta muito técnico. A maioria dos municípios não tem nem entomologista (que estuda os insetos) nas equipes”, disse.
O presidente da associação disse que um grande desafio do saneamento no Brasil é a coleta e distribuição de água e esgoto de forma adequada e eficaz. Segundo ele, a responsabilidade recai sobre o governo federal, mas ele acredita que os governos estaduais e municipais poderiam fazer mais sobre a questão.
– Não conseguiremos fazer obras de esgoto em dois anos, mas é importante que se faça a reestruturação do setor, fortalecendo os planos municipais e reestruturando também as empresas estaduais – disse.
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