Governador de Minas Gerais, Aécio Neves diz apoiar uma aliança do PSDB com o PT em torno de um projeto de desenvolvimento para o país. Na quarta-feira, ele previu que a aliança poderá acontecer "a médio prazo", o que poderá resultar numa divisão no partido. Parte dos tucanos seguiria Aécio Neves e uma dissidência tende a acompanhar o Democratas (ex-PFL).
– Essa parceria (entre o PSDB e o Dem) não é uma camisa-de-força. Não acho que nós devamos viver eternamente nessa dicotomia e nesse antagonismo que coloca de um lado o PSDB e seus aliados tradicionais e, do lado oposto, como adversários, o PT e seus aliados – disse Aécio a jornalistas em São Paulo durante encontro na de empresários da indústria de infra-estrutura.
Aécio Neves revelou que está cada vez mais próximo dos petistas, entre eles o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Ele afirmou ver mais convergências do que divergências nessas relações e citou ainda a proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. PSDB e PT têm sido rivais nas eleições presidenciais desde 1995, situação que se repete em Estados e municípios. Mas experimentam proximidades desde a eleição do ano passado.
O governador, que se disse um "construtor de pontes", enxerga uma vocação também nos partidos aliados ao governo do presidente Lula -- que chegam a onze, incluindo o PT -- para a criação desta aproximação.
– Até mesmo aliados que estão hoje em torno do governo do PT teriam mais facilidade no futuro de construírem um projeto com o PSDB e outros aliados – afirmou.
Para ele, é mais importante para o país um plano que possa ser sustentado em uma correlação de forças programática e não artificial, "que custa muito caro ao governo, como estamos assistindo todos os dias".
Aécio comentou as disputas entre tucanos e democratas na cidade de São Paulo, explicitadas após a divulgação da pesquisa Datafolha em que o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) aparece à frente para a eleição do ano que vem, com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) se mostrando competitivo. Os dois partidos são aliados na cidade e no Estado, refletindo a situação nacional.
– O que não podemos permitir é que a radicalização política num Estado, seja ele qual for, nos imponha uma camisa-de-força que impeça o Brasil de avançar – concluiu o governador.