Rio de Janeiro, 31 de Janeiro de 2026

Advogados de Renan e Mônica discutem durante depoimento

Segunda, 18 de Junho de 2007 às 14:45, por: CdB

O Conselho de Ética testemunhou, nesta segunda-feira, durante o depoimento, uma discussão entre o advogado da jornalista Mônica Veloso, Pedro Calmon Filho, e o advogado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Eduardo Ferrão. Calmon acusou publicamente Ferrão de simular dois recibos de R$ 50 mil que Renan diz ter pago à Mônica, com quem tem uma filha de três anos, como fundo de educação.

Segundo Calmon, esses R$ 100 mil fazem parte de uma dívida da pensão de Renan. O advogado disse foi a defesa do senador que obrigou Mônica a assinar esses recibos como "fundo de educação".

- Esses recibos foram simulados. Se minha cliente não o assinasse, não receberia o dinheiro -, disse.

- Quem fez esses recibos está ali. É só procurar no computador dele -, disse Calmon apontando para Ferrão.

Como resposta à acusação do advogado de Mônica Ferrão bateu na mesa em que sentava e disse: "Quero dar resposta". Os senadores prometeram dar a palavra a ele ainda nesta segunda.

O advogado de Mônica confirmou que foi alvo de ameaça por telefone e ainda leu uma declaração de sua cliente confirmado que recebeu em dinheiro vivo por meio de um lobista o pagamento da pensão de Renan à sua filha.

Segundo Calmon, a ameaça foi feita por telefone no último dia 9. No telefonema uma pessoa teria chamado o advogado de "filha da p..." e dito que ele e Mônica "amanheceriam com a boca cheia de formiga" se continuassem com a polêmica sobre Renan.

O advogado disse que não poderia comentar detalhes da relação entre Mônica e o senador. Mas leu uma declaração enviada pela jornalista repetindo sua versão sobre o pagamento da pensão. No documento, Mônica afirma que recebia o dinheiro das mãos do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, e não por depósito em conta.

- Ela mesmo depositava -, disse o advogado da jornalista.

Na declaração, Mônica nega vínculo de amizade com o lobista e também que tenha chantageado Renan e o advogado afirmou dizendo que "não há provas". Calmon também discutiu com o presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC). Sibá afirmou que não aceitaria comentários de Calmon sobre os trabalhos do conselho.
 

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