Os advogados do ex-diretor dos Correios Maurício Marinho acabam de desistir de sua defesa para a CPI dos Correios. Eles haviam pedido para interromper a sessão e conversarem com Marinho, mas o pedido não foi atendido por Maguito Villela (PMDB-GO) que preside a comissão.
Os advogados explicaram há pouco que estão abandonando o caso porque o cliente, que presta neste instante depoimento à CPI dos Correios, está "faltando com a verdade" e "sonegando informações". O deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP) advertiu que os advogados não podem intervir no depoimento, apenas podem requerer a nulidade do ato.
Os advogados de Marinho pediram a palavra ao senador Maguito Villela (PMDB-GO), que presidia a sessão. O senador não passou a palavra aos advogados, mas a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) conversou com eles e comunicou à CPI que eles estavam ameaçando abandonar o caso porque Marinho não estaria falando a verdade em seu depoimento.
Em depoimento, que começou às 9h desta quarta-feira, o ex-diretor de Compras da empresa Maurício Marinho disse que não considera incorreto o fato de ter recebido R$ 3 mil de uma empresa privada a título de "prestação de assessoria". Ele foi flagrado enquanto embolsava a propina, ocasião em que revelou ao interlocutor um suposto esquema de corrupção instalado pelo PTB em estatais.
- Aquilo não é um ato corrupto - disse Marinho.
O deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), que interroga Marinho, discordou da resposta e afirmou que um servidor publico não pode usar o cargo para receber dinheiro de empresa privada.
Marinho declarou ainda que, no atual governo, os maiores contratos da ECT foram transferidos da área de competência das diretorias para a presidência da empresa.
Segundo ele, a diretoria que ocupava passou a administrar um orçamento anual de "apenas" R$ 80 milhões, após a mudança de gestão que transferiu a decisão sobre os grandes contratos - especialmente os de publicidade - para o presidente da empresa.
O ex-diretor dos Correios revelou que a Casa Civil foi responsável pela nomeação dos seis principais diretores da empresa, e que o secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, controlava a diretoria de Tecnologia da estatal. Ele negou, porém, ter informações de que a Novadata, principal fornecedora de tecnologia da empresa, tenha ligações com PT.
Ele informou ainda que a agência de publicidade de Marcos Valério, apontado pelo deputado Roberto Jefferson como operador do mensalão pago a deputados do PP e do PL, venceu uma licitação na estatal em agosto de 2004.
Marinho disse também que, pouco antes do aparecimento da gravação em que foi flagrado recebendo R$ 3 mil de uma empresa privada, o PT vinha se mobilizando para evitar a perda da diretoria de Tecnologia da ECT para o PTB.
Emocionado, Marinho apelou pela sua segurança:
- Peço, pelo amor de Deus, pela segurança da minha família. Fui seguido mais de uma vez. Peço por segurança.