O ex-presidente da Câmara e deputado, João Paulo Cunha (PT-SP), não poderia ser acusado de fazer parte do esquema conhecido como mensalão porque é membro do próprio partido que comanda o governo, sustentou o advogado Alberto Zacharias Toron durante o julgamento do inquérito criminal que investiga a suposta compra de votos de parlamentares e o financiamento ilegal de campanhas eleitorais.
O advogado disse que na acusação de favorecimento no contrato de publicidade da Câmara com a agência SMPB, que tinha como sócio Marcos Valério, o crime não está devidamente descrito.
— A própria denúncia do Ministério Público não diz de que forma Cunha foi beneficiado para dar tratamento diferenciado à SMPB —, argumentou o advogado.
Em relação ao saque de R$ 50 mil no Banco Rural feito pela mulher do deputado, o advogado afirmou que a tentativa de justificar a ida ao banco para pagar uma conta atrasada de televisão por assinatura não pode ser apontada como lavagem de dinheiro.
— O deputado enviou a mulher ao banco para assinar o recibo. Isso não é lavar, mas esfriar dinheiro —, ressaltou.
Advogado do ex-secretário de Comunicação Luiz Gushiken, José Roberto Leal de Carvalho, afirmou que houve deturpação da prova para acusar o cliente de peculato (furto de bens públicos). Ele alegou que a denúncia da Procuradoria-Geral da República “pinçou” um depoimento de Gushiken, que era encarregado de aprovar a publicidade oficial do governo federal, à CPI dos Correios para se basear nas acusações.
Para Carvalho, o Ministério Público atribuiu a Gushiken um papel irreal no mensalão.
— Estão tentando acusar Gushiken como mentor intelectual do crime, mas não há como comprovar que o denunciado tivesse capacidade para isso —, questionou o advogado no plenário do STF.
Advogados de João Paulo Cunha e Gushiken desqualificam acusações do procurador-geral
Quarta, 22 de Agosto de 2007 às 17:12, por: CdB