O advogado Tadeu Corrêa diz que vai entrar até esta sexta-feira com um mandado de segurança na Justiça Militar em São Paulo para tentar reverter a prisão administrativa do sargento Carlos Henrique Trifilio, presidente da Federação Brasileira das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo (Febracta).
A Aeronáutica determinou nesta quarta-feira a prisão administrativa de Trifilio por 20 dias, a partir de 2 de julho, por ele ter concedido entrevista sem estar autorizado, o que configuraria uma transgressão disciplinar. Segundo a assessoria da Aeronáutica, na entrevista, o sargento teria feito críticas ao sistema de controle do tráfego aéreo brasileiro.
Na avaliação do advogado, a prisão administrativa é, na verdade, uma "retaliação" por Trifilio ser presidente da Febracta e da Associação dos Controladores de Vôo de São Paulo. - Ele está sendo punido por isso - disse Corrêa.
O advogado reclama que o presidente da Febracta não teve direito à defesa. - O problema todo não é a aplicação de uma medida disciplinar. É a forma como essa medida está sendo aplicada. A própria Constituição garante que ninguém pode ser julgado sem o devido processo legal e, para que isso ocorra, todo e qualquer cidadão brasileiro deve ter direito à ampla defesa e ao contraditório. Simplesmente isso foi rasgado. A Constituição foi rasgada, ninguém deu a ele esse direito -.
A expectativa de Corrêa é que a punição seja revista. - A nossa esperança é que ele tenha pelo menos a possibilidade de ser julgado através de um processo regular. Que ele tenha o direito ao contráditório e à ampla defesa, que ele possa apresentar suas argumentações e demonstrar que ele não cometeu nenhum ato indisciplinar. Ele não iria ferir a imagem da corporação em momento algum, ele simplesmente estava zelando pelos interesses de seus associados -.
Segundo o advogado, o sargento Trifilio está na Aeronáutica há 22 anos e atualmente trabalha na Base Aérea de Cumbica, em São Paulo.