O advogado Roberto Teixeira negou aos jornalistas, ao deixar o Senado, nesta quarta-feira, que tenha qualquer interferência da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no processo de venda da Varig para a VarigLog, que pertencia ao fundo de investimento norte-americano Matlin Patterson e a mais três sócios brasileiros. Teixeira disse ainda que talvez não volte para o depoimento definitivo na Comissão de Infra-Estrutura do Senado.
- A ministra Dilma jamais, comigo ou por influência minha, teve qualquer contato (com a negociação). Eu até tenho um distanciamento normal em relação a ela. Temos uma relação formal - disse.
O depoimento de Roberto Teixeira, marcado para a manhã desta quarta, foi cancelado. Os senadores pretendem chamar novamente Roberto Teixeira para depor, depois de ouvir os três sócios brasileiros da empresa. A idéia, segundo o líder do Democratas, José Agripino Maia (RN), é confrontar as versões. O advogado se recusou a responder a algumas perguntas dos jornalistas, fazendo apenas um pronunciamento à imprensa. Ao sair do Senado, Teixeira sinalizou que não deve mais voltar para novo depoimento. "Vou pensar", disse. "Entendo que já estou prestando todas as informações necessárias. Entendo que já cumpri com a obrigação de explicitar os fatos", completou.
Teixeira defendeu também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- O presidente tem mais é que cuidar do Brasil e não vai interferir em relações comerciais. É no âmbito do Poder Judiciário que se resolvem essas questões - afirmou.
A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil Denise Abreu acusou a ministra Dilma de ter pressionado os diretores do órgão para aprovar a venda da Varig, que na época passava por dificuldades financeiras. Denise também acusou Roberto Teixeira de ter feito tráfico de influência, se valendo de sua relação com o presidente Lula de quem é compadre, para facilitar a venda. Teixeira foi o advogado da VarigLog na negociação. A unidade produtiva da Varig foi comprada por US$ 24 milhões em leilão e depois revendida à Gol por US$ 320 milhões.
Freud explica
A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu acusa Teixeira de ter feito pressão para agilizar a venda das empresas aos estrangeiros. Em recente comentário sobre as suspeitas de Denise Abreu, Lula disse que achou o depoimento vazio.
- O que percebi é que o resultado é como se espremesse uma laranja e não tivesse caldo, porque na verdade ela não tinha o que fazer - disse.
De acordo com o presidente “só Freud explica” tanto tempo perdido no depoimento, que durou cerca de oito horas.
- Vejo pessoas perderem oito, dez horas do seu tempo perguntando para as pessoas coisas que não têm a menor importância, a não ser para justificar a própria reunião. Eu fico com pena - afirmou.
O presidente reafirmou que a venda da Varig passou apenas pela Justiça e não envolveu o governo, e que quer ver como o jornal que acreditou na denúncia de Denise Abreu “vai sair dessa”.
Sobre o depoimento de Roberto Teixeira, Lula também disse que não há qualquer motivo de preocupação por parte do governo.