Rio de Janeiro, 28 de Janeiro de 2026

Advogado diz que Vavá recebeu ligação de Morelli

Terça, 05 de Junho de 2007 às 16:07, por: CdB

O advogado Benedicto de Tolosa Filho, que representa o irmão do presidente Lula, Genival Inácio da Silva, o Vavá, disse na tarde desta terça-feira que o teor do telefonema que coloca Vavá como um dos investigados da Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal, deflagrada nesta segunda-feira, é "uma conversa de amigo".

Segundo Tolosa, a conversa aconteceu há três meses entre Dario Morelli Filho, um dos presos na operação, que teria ligado do Mato Grosso do Sul para a casa de Vavá, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

De acordo com o advogado, a gravação é o único motivo que fez a PF ir à casa do irmão do presidente com um mandado de busca e apreensão e indiciá-lo por tráfico de influência e exploração de prestígio.

A afirmação de que a gravação mostra uma ligação entre Vavá e Morelli dele vai contra a afirmação feita pelo filho de Vavá, Edison Inácio da Silva, na noite de segunda-feira. Edison disse que o telefonema teria sido entre o pai e Nilton César Servo. Tolosa disse ainda que, apesar de amigos há muitos anos, a relação entre Morelli e Vavá ultimamente só acontecia por telefone.

Os dois se conheceram, segundo o advogado, quando Morelli trabalhava como assessor na Assembléia Legislativa de São Paulo e Vavá era presidente do diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Bernardo do Campo.

- Ele não sabe nem por onde o Dario anda. A relação é só por telefone -, disse Tolosa.

Segundo o advogado, o irmão do presidente só foi indiciado por causa deste único telefonema que colocou o número da casa de Vavá na lista obtida pela Polícia Federal após quebra de sigilo telefônico dos 77 presos por suspeita de envolvimento com contrabando, tráfico de drogas e exploração de caça-níqueis.

Tolosa não quis apontar a quem interessaria uma possível complicação judicial do irmão do presidente, mas disse que "fica evidente que o indiciamento dele é para mostrar uma posição confortável para o presidente, que mostra que o irmão foi investigado. Mas até ele (Vavá) se fortalece porque não tem nada com isso".
 
Ele disse que apenas três documentos foram levados pelos policiais federais da casa de Vavá: dois currículos e uma carta, que seria um pedido de emprego para o senador Aloizio Mecadante (PT-SP), feito por uma pessoa desconhecida. Tolosa negou o tráfico de influência. A prova disso, segundo ele, é que o Vavá não encaminhou nada para o senador.

O advogado disse que o depoimento tomado na casa de Vavá foi gravado. Vavá, segundo ele, não assinou o documento, nem tirou as impressões digitais. Mesmo assim, Tolosa disse que o depoimento tem validade. Ele contou que fala a todo momento com seu cliente, que está "tranqüilo e seguro de que não tem envolvimento".

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