Os advogados de defesa de Michael Jackson submeteram a mãe de seu acusador a um segundo dia de interrogatório intenso na segunda-feira, buscando destacar falhas de caráter e inconsistências no depoimento de uma das mais importantes testemunhas de acusação do cantor.
Em uma série de réplicas acirradas, a mulher entrou em choque diversas vezes com o advogado de defesa Tom Mesereau, que sugeriu que ela tivesse o hábito de aproximar-se de celebridades em busca de favores e influência.
A defesa vem procurando retratar a mulher em questão como mentirosa e enganadora, argumentando que Jackson foi um benfeitor inocente e generoso que se tornou vítima das armações dela.
Mesereau mencionou um pedido de invalidez que a mulher registrou no final dos anos 1990, alegando depressão, no qual ela afirmou que estava "triste por ser uma maria-ninguém".
Respondendo a perguntas no interrogatório da defesa, na segunda-feira, ela por três vezes afirmou:
- Ainda sou uma maria-ninguém.
Mesereau também perguntou por que ela mencionou os nomes de Michael Jackson e do jogador de basquete Kobe Bryant em interrogatório policial de 2001, quando ela relatou problemas domésticos que teve com seu hoje ex-marido.
- Isso foi porque (seu marido) David estava me chamando de prostituta e afirmando que eu estava fazendo sexo com essas pessoas - ela disse.
Michael Jackson está sendo acusado de abusar sexualmente do filho da mulher em seu rancho Neverland no início de 2003, de dar bebida alcoólica ao menino para poder abusar dele e de conspirar para cometer cárcere privado, sequestro infantil e extorsão. O artista, que se declara inocente, pode ser condenado a mais de 20 anos de prisão se for considerado culpado das acusações.
O interrogatório da mãe do acusador pelos advogados de defesa de Jackson vem sendo bastante áspero em alguns momentos. Na sexta-feira, Mesereau pediu repetidas vezes à testemunha que respondesse diretamente a suas perguntas. Em lugar disso, ela respondia com apartes e divagações. O juiz Rodney Melville interveio para advertir as duas partes.
Na semana passada, a mãe, em depoimento longo, declarou ter sido assediada, intimidada e mantida presa contra sua vontade por assessores de Jackson, tanto em Neverland quanto num hotel do sul da Califórnia durante as semanas seguintes à transmissão de um documentário de televisão prejudicial ao cantor, em 2003.
No documentário, Jackson defendeu sua prática de dividir sua cama com crianças e foi visto de mãos dadas com o garoto que hoje o acusa, e que, na época, se recuperava de um câncer.
A mãe do menino declarou na semana passada que a família foi forçada a gravar um vídeo elogiando Jackson e que os assessores de Jackson, em dado momento, fizeram planos para enviar a família ao Brasil, para protegê-la contra supostos "assassinos" não identificados.
Na segunda-feira, a mulher foi obrigada a admitir que havia pessoas às quais ela poderia ter pedido ajuda, incluindo um advogado que estava tratando de sua relação com seu marido, mas que ela não o fez.
A previsão era que ela passasse a maior parte da segunda-feira sendo interrogada pela defesa de Michael Jackson.
Advogado de Jackson e mãe de acusador se enfrentam em julgamento
Segunda, 18 de Abril de 2005 às 15:07, por: CdB