Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Advogado de Gil Rugai vai pedir habeas-corpus

Sexta, 08 de Julho de 2005 às 06:26, por: CdB

Fernando José da Costa, advogado de Gil Rugai, suspeito de matar o pai e a madrastra, vai entrar com pedido de hábeas-corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele aguarde julgamento em liberdade. O estudante está preso desde 6 de abril do ano passado.
 
O publicitário, Luis Carlos Rugai, e sua namorada, Alessandra de Fátima Troitino, foram mortos a tiros, dentro da própria casa, em 28 de março do ano passado, em Perdizes, zona oeste da capital de São Paulo.
 
A defesa do estudante Gil Rugai alega que "não há elementos no processo" que justifiquem a manutenção da prisão preventiva. O advogado diz ainda que o filho do publicitário se apresentou espontaneamente e que ele não demonstra ser violento.
Costa afirmou que a arma do crime, uma pistola calibre 380 achada no prédio onde Gil tinha sua empresa, foi plantada pelo verdadeiro assassino:

- Querem incriminar o Gil desde o começo da investigação. Ele não seria tão burro de pôr essa arma no fosso do prédio onde mantinha seu escritório.

O advogado mostrou ainda, na quinta-feira, o laudo de exame toxicológico do estudante, que mostra que ele não consumiu drogas antes da hora do crime. Além disso, o advogado mostrou a perícia que constatou ser o pé do acusado compatível com a pegada encontrada numa porta arrombada da casa. "O pé do Gil mede 25 centímetros e a pegada tem 23", cita o documento. No documento também consta a conclusão do perito de que não foi possível achar impressões digitais na porta, pois ela havia sido tocada por inúmeras pessoas.

A defesa do ex-seminarista Gil Rugai vai entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) com novo pedido de habeas corpus, tendo como parâmetro os mesmos argumentos que na semana passada libertaram da prisão Suzane von Richthofen, ré confessa no assassinato dos pais.

Segundo o advogado Fernando José da Costa, não há elementos para manter seu cliente na cadeia, já que ele se apresentou à polícia, tem residência fixa e não oferece risco ao cumprimento da lei. 

- Gil Rugai sempre alegou inocência, mas está preso há mais de um ano. Penso até em pedir para ele mentir e confessar o crime, porque parece que só quem admite a culpa tem direito a aguardar o julgamento em liberdade - ironizou Costa, referindo-se à liberdade concedida à Suzane Richthofen, que planejou a morte dos pais, em 2002. 

O advogado criticou também a atuação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP): 

- As autoridades policiais se precipitaram em acusar Gil, sem investigar o crime, e agora realizam árduo trabalho para justificar a prisão - acusou Costa.

Na quarta-feira, em entrevista coletiva, policiais do DHPP afirmaram que nunca tiveram dúvidas quanto ao envolvimento de Gil no crime.

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