Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Advogado de Carla Cico tentará suspender indiciamento

Segunda, 11 de Abril de 2005 às 19:19, por: CdB

O advogado Nélio Machado vai tentar suspender nos próximos dias o indiciamento da presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, e evitar que o mesmo se repita com o empresário Daniel Dantas, sócio do gestor de fundos Opportunity, que deve prestar depoimento no caso Kroll na quarta-feira.

Cico foi indiciada nesta segunda-feira nos crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha e violação de segredo em decorrência das investigações da operação Chacal, que apreendeu em outubro documentos e equipamentos da consultoria de risco Kroll e do Opportunity.

A executiva italiana contratou a Kroll para investigar os movimentos da Telecom Italia, que trava uma guerra societária com o Opportunity pelo controle da Brasil Telecom, a terceira maior operadora de telecomunicações do país.

O criminalista afirmou a jornalistas que apresentou na quinta-feira na 5a Vara da Justiça Federal, em São Paulo, pedido de habeas corpus para tentar evitar o indiciamento de seus clientes. Segundo o advogado, o pedido ainda não foi julgado.

Nas próximas 24 horas, Machado vai avaliar se aguarda uma decisão do juiz sobre o pedido já apresentado ou se dá entrada em um segundo pedido para tentar anular o indiciamento ocorrido esta manhã.

"Se for reconhecido no mérito que a gente estava com razão, fica anulada a decisão anterior (indiciamento)...Vamos pedir o cancelamento do indiciamento", afirmou Machado.

Ele disse que a investigação da Polícia Federal foi tendenciosa desde o início e citou, entre vários exemplos, que encarregados do caso teriam se antecipado afirmando que Cico e Dantas seriam indiciados. Machado considerou o indiciamento um "ato arbitrário, inconsistente e abusivo".

O advogado argumentou que não recebeu da PF informações suficientes sobre as causas para o indiciamento de sua cliente. Segundo ele, Cico esclareceu no seu depoimento que só teve uma reunião com a Kroll, e a polícia não teria contestado essa declaração.

"Se a Kroll usou ou deixou de usar alguém no Brasil, a Kroll é que tem que responder, não a Carla", afirmou Machado. "Tenho muita convicção de que uma executiva prestigiada no mundo inteiro não pode ser tratada como quadrilheira e bandida", disse.

O advogado afastou o risco de prisão de seus clientes, embora tenha dito que acredita que a PF vá indiciar Dantas como fez com Cico. "Não posso acreditar que vá acontecer nada diferente", afirmou. "Indiciamento é um efeito simbólico, mas não deixa de ser algo que incomoda."

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