Rio de Janeiro, 31 de Janeiro de 2026

Advogado de bingos diz que dinheiro achado no carro era de honorários

Segunda, 18 de Junho de 2007 às 18:12, por: CdB

Após pouco mais de três horas de depoimento à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo o advogado Jamil Chokr, que defende donos de bingos e de máquinas caça-níqueis, reafirmou nesta segunda-feira que o dinheiro encontrado em seu carro no dia 25 de maio após um acidente era de pagamento de honorários.

- Basicamente ele confirmou as declarações que já tinha prestado. Ele alega que eram honorários profissionais que ele havia recebido -, afirmou o promotor Luís Antônio Nusdeo.

Ainda de acordo com o promotor, Chokr afirmou sobre os envelopes que continham a numeração semelhante à dos Distritos Policiais em São Paulo "que os honorários estavam separados dessa maneira".

O advogado explicou ainda durante o depoimento, segundo o promotor, que os telefones de alguns policiais eram contatos profissionais que mantinha. Nusdeo não disse, no entanto, se o depoimento desta segunda-feira acrescentou fatos novos à investigação.

Antes das 17h30 Chokr deixou o prédio. Ele entrou pela garagem por volta das 14h porque, segundo policiais, ainda está com a perna machucada após o acidente que sofreu durante tentativa de assalto no dia 25 de maio e precisa do auxílio de uma cadeira de rodas.

- Não há sequer como instaurar uma ação penal -, diz José Carlos Dias, defensor de Chokr que afirmou que seu cliente "negou qualquer propina e qualquer ato de corrupção a qualquer funcionário público".

De acordo com o advogado, Chokr recebia por máquina caça-níquel para a qual ele prestava assistência jurídica e ganhava por cada máquina existente nas regiões da cidade. Ainda segundo Dias, Chokr listava as máquinas pelas delegacias da área porque era para esses locais que as máquinas eram levadas após serem apreendidas.

De acordo com o advogado, Chokr apresentou à polícia notas fiscais que comprovariam o pagamento dos honorários.

- Este dinheiro já tinha tido recolhimento do Importo de Renda na fonte -, disse.
 
No entanto, a delegada Cintia Quaggio, responsável pelo caso, afirma que nenhum documento que comprove pagamento de honorários chegou à polícia.

- Ainda não, porque ele (Jamil) alega que este documento está na contabilidade da empresa. Já foi pedido e estamos aguardando -, afirmou.

O corregedor-geral da Polícia Civil, Francisco Alberto Souza Campos, disse que o depoimento de Jamil "não acrescentou muito".

José Carlos Dias disse que seu cliente tinha telefones de peritos para "provocar" os profissionais. Questionado sobre como seria essa provocação, Dias afirmou que essa é uma das funções dos advogados.

- Ele telefonava, coisas que o advogado tem de fazer. Está atrasando, então telefona, cobra, isso não tem nada de desonesto -, disse
 
 
 

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