Rio de Janeiro, 28 de Março de 2026

Advogado afirma que Lorenzetti autoriou análise de dossiê

Sexta, 22 de Setembro de 2006 às 13:05, por: CdB

O depoimento do ex-assessor da campanha de Lula, Jorge Lorenzetti, à Polícia Federal confirmou que três pessoas foram enviadas a Cuiabá para se encontrar com empresários da Planam e analisar documentos que envolveriam políticos do PSDB na máfia das sanguessugas. Contudo, não estariam autorizadas a oferecer dinheiro pelo material. O advogado ainda informa que o dossiê seria entregue para Hamilton Lacerda, ex-assessor de Mercadante.

O advogado Aldo de Campos Costa, que conversou com a imprensa em nome do ex-assessor de análise de mídia e risco Jorge Lorenzetti, afirmou que seu cliente apresentou à Polícia Federal um "relato consistente" de todos os fatos desde o início da campanha até o último dia 15, quando duas pessoas foram presas ao negociar a compra de material.

Segundo ele, o caso começou com um contato de Valdebran Padilha, filiado ao PT no Mato Grosso, estado em que a Planam tinha a maior atuação nas fraudes de compra superfaturada de ambulâncias. O petista teria procurado a campanha de Lula dizendo que teria documentos que poderiam comprometer a "campanha estadual do PSDB em São Paulo". Lorenzetti, segundo o advogado, então pediu para Gedimar Passos, Expedito Veloso e Oswaldo Bargas analisarem o material.

-Meu cliente sempre teve interesse no acesso e na divulgação desses documentos. É um interesse que vem desde que Valdebran entrou em contato. Ele achava que poderia conseguir isso graciosamente. E foi com esse intento que ele encaminhou mais de uma vez os colaboradores para verificar a autenticidade dos documentos-, explicou o advogado.

Aldo de Campos relatou que, em vista disso, Lorenzetti teria sido surpreendido com a apreensão do dinheiro em São Paulo. -Meu cliente ficou absolutamente chocado quando soube que Gedimar foi apreendido com dinheiro. Era a orientação do partido, principalmente pelo momento eleitoral, que não poderia haver nenhuma negociação-, completou.

Indagado pelos jornalistas sobre a origem do dinheiro, o advogado disse que isso precisa ser investigado pela Polícia Federal.

-Lorenzetti afirmou contundentemente que nada teve a ver com esses valores. Dede o primeiro momento, ele, na qualidade de responsável pelo encaminhamento de colaboradores, repudiou a negociação ou qualquer envolvimento de valores pecuniários-, resumiu.

Lorenzetti depôs por três horas na sede da Polícia Federal em Brasília. O delegado da PF de Mato Grosso Diógenes Curado e o procurado da República Mário Lúcio Avelar queriam que o ex-assessor de Lula esclarecesse a compra do dossiê, citando os nomes de todos os envolvidos e a participação de cada um no episódio.

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