Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Advogada de Jean Charles pressiona Scotland Yard

A advogada Harriete Wistrich, que repesenta a família do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica após ser confundido com um militante suicida, acusou nesta quinta-feira o chefe de polícia de Londres de tentar bloquear a investigação oficial e pediu que ele deixe o cargo. (Leia Mais)

Quinta, 18 de Agosto de 2005 às 06:18, por: CdB

A advogada Harriete Wistrich, que repesenta a família do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica após ser confundido com um militante suicida, acusou nesta quinta-feira o chefe de polícia de Londres de tentar bloquear a investigação oficial e pediram que ele deixe o cargo.

Jean Charles foi morto com oito tiros pela polícia em um trem do metrô londrino, no dia 22 de julho, um dia após quatro extremistas terem realizado ataques frustrados no sistema de transporte de Londres.

O chefe de polícia da cidade, Ian Blair, primeiramente havia afirmado que o tiroteio no metrô estava ligado aos ataques do dia anterior e que Jean Charles foi alertado, mas se recusou a obedecer as instruções da polícia.  Entretanto, documentos vazados obtidos pela ITV News informaram que policiais e testemunhas disseram que não foi isso o que aconteceu.

A advogada Harriet Wistrich disse que Blair deveria deixar o cargo.

- Sir Ian Blair deveria renunciar. As mentiras que parecem ter sido contadas, como o comunicado de Sir Ian Blair, por exemplo, são claras. E ninguém veio a público para corrigir as mentiras - disse a advogada em um comunicado.

A advogada aproveitou a oportunidade para pedir uma investigação sobre o caso " rápida e rigorosa". Harriet Wistrich e a outra advogada da família, Gareth Pierce, reuniram-se com a Comissão Independente de Investigação de Queixas contra a Polícia, que investiga as circunstâncias da morte do jovem, e criticaram a falta de transparência das autoridades.

Ao término do encontro, Pierce manifestou a profunda preocupação da família do jovem eletricista, de 27 anos, com as contradições entre a versão inicial da Polícia e as declarações das testemunhas.

Pierce disse que a família quer saber quem foi o responsável pelas mentiras sobre o caso de Jean Charles de Menezes, que, segundo documentos divulgados na última terça-feira, não estava fugindo da Polícia nem usava roupas volumosas nas quais pudesse esconder explosivos.

A advogada classificou de "caótica" a resposta das forças de segurança sobre o caso do jovem brasileiro. Segundo Pierce, é possível fazer uma investigação rápida sobre o caso.

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